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Torne-se membro ->O livro dos Atos dos Apóstolos é escrito por São Lucas. Também autor de um dos quatro Evangelhos, ele endereça ambas as obras à mesma pessoa: um certo Teófilo. Embora não saibamos quem seja este homem ao qual o evangelista escreve, as primeiras linhas do Evangelho segundo São Lucas nos permitem deduzir se tratar de um catecúmeno ao qual o autor dos dois livros deseja confirmar na Fé por meio de uma base racional escrita. Não obstante, chama, ainda, atenção o fato de que Teófilo é um nome composto por duas palavras gregas: Teo = Deus; e Filo = Amigo. Logo, Teófilo poderia ser lido como “Amigo de Deus”. E que somos nós, se não verdadeiros amigos de Deus quando fazemos tudo aquilo que Ele nos ordena, conforme dito pelo próprio Cristo (cf. Jo 15, 14)? Assim, embora as obras tenham certamente sido destinadas a um homem que realmente tinha esse nome, é belo admirar as coincidências da Providência que fala diretamente a cada um de nós que ouve ou lê essas palavras da Sagrada Escritura:
“Escrevo a ti, ó amigo de Deus, para que conheças a solidez dos ensinamentos que recebeste.” (cf. Lc 1, 3s)
E se, no Evangelho, Lucas narra diversos eventos da vida de Jesus, em Atos ele contará a continuação dessa grande obra de redenção que se dará através do Corpo Místico de Cristo: a Santa Igreja Católica, nascida do lado aberto do Senhor. Pois, assim como, do lado de Adão, Deus fez nascer a esposa daquele primeiro homem, “osso dos meus ossos e carne de minha carne” (cf. Gn 2, 23), do lado do Novo Adão, Nosso Senhor Jesus Cristo, nasceu também a Sua Diviníssima Esposa, quando, do Sagrado Coração transpassado no alto da Cruz, jorraram o Sangue da Eucaristia e a Água do Batismo para a salvação do mundo.
Fora da Igreja Católica não há salvação
Desse modo, não pode haver quem se diga cristão sem que pertença à Santa Igreja Católica, pois Ela e Cristo “já não são dois, mas uma só carne” (Mt 19, 6). Por esta razão, se somente Jesus é o Caminho que leva ao Pai, fora da Igreja não há quem possa ser salvo.
Foi por isso que os santos de Deus, através dos quais o Senhor segue agindo na História, após serem revestidos da Virtude do Alto ao ficarem repletos do Espírito Santo no Cenáculo, saíram a pregar ao mundo inteiro, a fim de converterem todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (cf. Mt 28, 19), falando em seus respectivos idiomas (cf. At 2). E começaram pela própria Cidade Santa de Jerusalém, onde São Pedro, conforme narrado por Lucas no segundo capítulo dos Atos, acusou os judeus de terem assassinado o Messias, o Autor da Vida – mesmo diante da insistência de Pilatos para livrá-Lo –, e os chamou ao arrependimento de seus pecados e à conversão, pois Cristo ressuscitara e subira aos Céus, donde novamente há de vir para julgar os vivos e os mortos.
Três mil foram os convertidos por essa pregação do primeiro Papa, Chefe dos Santos Apóstolos. E, dali por diante, os conversos guardaram a Sã Doutrina, praticando-a em suas vidas, e se reuniam regularmente para a celebração da Santa Missa.
"Não podemos omitir o que vimos e ouvimos"
Noutro dia, São Pedro e São João curaram um coxo e novamente pregaram à multidão. Diante da agitação, os sacerdotes judeus os mandaram prender.
Ao serem interrogados por Anás e Caifás a respeito da doutrina que pregavam, Pedro, tomando a palavra, acusou-os de terem crucificado Jesus, no nome de quem se deu a cura do coxo. E declarou que ninguém pode ser salvo se não pelo nome de Cristo.
Os sacerdotes, não encontrando razões para os castigarem, proibiram-lhes de pregar novamente em nome de Jesus. Mas Pedro – o mesmo que negara o Senhor diante de uma criada pouco tempo antes – disse àqueles que lhe podiam matar: “Se é justo diante de Deus obedecer antes a vós que a Deus, julgai-o vós mesmos. Mas nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos.” (At 4, 19s)
Companheiros de viagem
Lucas narra, ainda, muitos outros eventos, até o momento em que se une, ele próprio, à história, quando, em Atos 16, 10, passa a narrar os acontecimentos em primeira pessoa. Isto porque, em Tróade – atual Çanakkale, na Turquia –, passa a acompanhar São Paulo em suas viagens missionárias.
Daí por diante, acompanhando o Apóstolo das Nações em suas viagens missionárias, Lucas presencia perseguições, naufrágios, milagres, conversões e o anúncio do Evangelho nas maiores cidades do mundo romano, até que São Paulo chega a Roma, coração do Império. E é precisamente aí que termina o livro dos Atos: com o Evangelho sendo pregado na Cidade Eterna, onde tantos mártires derramariam seu sangue por amor a Cristo e à Sua Igreja, e de onde essa mesma Igreja continuaria sua missão de ensinar todas as nações até a consumação dos séculos.
"As portas do inferno jamais prevalecerão"
Os Atos dos Apóstolos são, portanto, muito mais do que um simples relato histórico. São o testemunho vivo dos primeiros passos da Igreja Católica e da ação do Espírito Santo através daqueles homens que Cristo escolheu para transformar o mundo. Ler essas páginas é descobrir que a mesma Igreja fundada pelos Santos Apóstolos continua viva ainda hoje, guardando a mesma Fé, celebrando os mesmos Sacramentos e conduzindo as almas ao mesmo Senhor, mesmo em meio às perseguições e às crises internas, porque as portas do inferno jamais prevalecerão sobre ela (cf. Mt 16, 18).
E se São Lucas escreveu para que Teófilo conhecesse a solidez da Fé que recebera, hoje, quase dois mil anos depois, suas palavras continuam cumprindo exatamente a mesma missão: confirmar na verdadeira Fé todos aqueles que desejam permanecer amigos de Deus.
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