8 de July de 2026 Artigo
8 min

Santa Isabel de Portugal: esposa, mãe e rainha católica

Conheça a história da santa que foi rainha de Portugal desde os 11 anos e que ficou famosa por suas virtudes e pelo emblemático milagre das rosas.

Yago Portella

Yago Portella

Redação CDB


Isabel nasceu no Reino de Aragão, possivelmente a 4 de janeiro de 1271, na cidade de Zaragoza. Ela era filha dos reis Pedro III de Aragão e Constança de Hohenstaufen.

Naquela época, seu avô paterno, Jaime I de Aragão, o Conquistador, estava em desafeto com o filho. Contudo, quando a menina – que não era a primogênita – nasceu, Jaime quis conhecê-la. Tão logo a viu, desejou poder conviver com a netinha e, graças a isso, ele e Pedro se reconciliaram.

Na infância, Isabel foi educada no palácio. Ali a princesa aprendeu francês, alemão e italiano. E desde a mais tenra idade ela já se destacava pela sua piedade, educação e inteligência acima da média. Por isso, muitas casas reais disputavam sua mão.

Casamento e coroação

Dentre as muitas ofertas, uma chamou a atenção: a do Rei Dom Dinis I de Portugal, nascido em 1261. E em que ela diferia das demais propostas? Os outros pretendentes eram príncipes que haveriam de herdar a coroa de seus reinos. Dinis, contudo, já era rei. Desse modo, ao se casar, a princesa seria imediatamente coroada rainha consorte.

Em face disso, embora o desejo da jovem fosse o de se tornar uma irmã clarissa (Ordem Segunda Franciscana), ela cedeu à vontade dos pais e concordou com o casamento, o qual se deu por procuração em 1282. Ela aprendeu o idioma português e foi morar com seu marido.

As traições do marido

Isabel foi uma mulher profundamente virtuosa e suportou toda sorte de humilhações no casamento. Dinis era um mulherengo, um devasso, que vivia engravidando outras mulheres. Ele chegou até mesmo a se envolver com uma freira, sem contar as mulheres casadas! Tudo isso, porém, a jovem santa suportava, ainda que com profunda dor em seu coração.

 

 

Em 1290, nasceu a primeira filha do casal, Dona Constança – nome dado em honra à avó da rainha. E já no ano seguinte veio ao mundo o primogênito varão, Dom Afonso.

A virtude da rainha consorte era tamanha que ela levava até mesmo os bastardos de seu marido para o palácio, a fim de educá-los. Muitos no seu entorno questionavam o porquê dela fazer aquilo, dizendo-lhe que era uma humilhação tremenda educar os filhos das amantes do rei, mas ela lhes respondia que as crianças não tinham culpa dos pecados do pai.

Obras de caridade

Enquanto tinha de lidar com os atos públicos de infidelidade do marido, Isabel praticava constantemente a caridade. Em seu tempo de rainha, fundou hospitais, orfanatos e albergues para peregrinos.

Outra de suas obras que também merece destaque foi a criação de um recolhimento para mulheres que, de tão pobres, corriam o risco de recorrerem à prostituição para se sustentarem. A essas, inclusive, a rainha auxiliava para que aprendessem um ofício e ainda providenciava, se necessário, o dote quando encontravam um bom homem, a fim de viabilizar o casamento delas. E, além de todas essas iniciativas, Isabel também tinha o costume de praticar a caridade diretamente, dando esmolas aos pobres. E foi numa dessas ocasiões que se deu o famoso milagre das rosas.

O milagre das rosas

Dinis era um homem que tinha rompantes de fúria. Certa vez, cortesãos lhe disseram que Isabel estava dilapidando os bens do reino, distribuindo pães e moedas por aí. Eles falaram isso por causa da caridade que a santa fazia para com os pobres.

 

 

Irado, o rei foi de encontro à esposa e, ao vê-la, percebeu que a santa omitia em seu manto aquilo que levava consigo. Ao ordenar, porém, que ela lhe contasse o que carregava, a rainha calou. Contudo, no momento em que Isabel abriu o manto, caíram dali não pães, não moedas, mas rosas, e todos os presentes reconheceram um milagre da Providência Divina que a salvou de um ataque de fúria do marido e atestou ser de Sua vontade o bem que ela fazia aos menos favorecidos.

Grandes marcos do reinado

O reinado de Isabel e Dinis ainda ficou marcado pela fundação da primeira universidade de Portugal, a Universidade de Coimbra, em 1290. Esta, vale dizer, seria, no futuro, uma instituição de suma importância para o Brasil, pois, enquanto não havia ainda uma universidade aqui, era lá que os brasileiros que buscavam cursar o ensino superior estudavam.

Algumas décadas adiante, foi também durante o reinado do casal que se criou a Ordem de Cristo em Portugal em 1319. Sucessores espirituais dos templários, os quais foram caçados e mortos entre 1312 e 1314 pela ganância do Rei Filipe IV da França, o Belo – e cujos sobreviventes buscaram abrigo junto à Coroa Portuguesa –, os cavaleiros da Ordem de Cristo foram os responsáveis por liderar as Grandes Navegações entre os séculos XV e XVI. Inclusive, foi um cavaleiro dessa ordem, Pedro Álvares Cabral, quem, em 1500, descobriu o Brasil.

Intermediadora da paz

Isabel atuou fortemente na mediação de conflitos, evitando guerras durante o seu reinado. Fora o apaziguamento, ainda bebê, entre seu pai e seu avô, a primeira desavença que poderia escalar para uma guerra e que foi evitada pela rainha se deu entre um de seus irmãos e o marido. Posteriormente, em 1323, ela também conseguiu impedir o avanço de uma guerra civil entre Dinis e o primogênito do casal, Afonso.

As tensões desse conflito entre pai e filho surgiram quando Dinis, já sexagenário, começou a favorecer um de seus bastardos com cargos, títulos e favores. Vendo isso, Afonso, que era o herdeiro natural do trono, suspeitou que o pai passaria a coroa ao seu meio-irmão. Ele, então, reuniu aliados e deu combate contra o rei.

 

 

Enquanto o reino era destruído pelo embate dos dois, Afonso avançou e tomou facilmente Leiria, uma região que pertencia à sua mãe. Desconfiou-se que Isabel tivesse mandado abrir os portões para o filho e se aliado a ele contra o marido como vingança por suas infidelidades. Isso, na verdade, não ocorreu, mas Dinis, o adúltero fornicador que devia até mesmo a educação de seus filhos bastardos à santa, desconfiou dela e a enviou para o exílio.

Com Isabel fora do caminho – presa em uma de suas residências, proibida de sair por ordem do marido –, pai e filho seguiram se enfrentando. Ao saber, porém, que as tropas de ambos se digladiariam em Pombal, a rainha, com seus trajes reais, montou em sua mula e partiu em direção ao local do conflito, e não houve soldado que ousasse impedi-la.

Lá chegando, pôs-se no meio do campo de batalha. Diante disso, e à medida que a monarca avançava, os combatentes de ambos os lados recuavam, cedendo-lhe o espaço.

Ficando frente a frente com o marido, mandou chamar o filho. Ali, ordenou que Afonso pedisse perdão ao pai. Os dois, então, abraçaram-se e a guerra chegou a termo.

A remissão de Dom Dinis I

Após se reconciliar com o filho por meio de sua mulher, Dinis busca se redimir com Isabel. E, nisso, escreve um poema para ela.

Nesses versos, o rei português lamenta ter desperdiçado a vida na busca por prazeres efêmeros quando, por todo esse tempo, teve ao seu lado uma esposa verdadeiramente santa. E louva ao Senhor por ter sido tão misericordioso para com ele ao lhe dar uma mulher de tão grande virtude como Isabel.

O fim da vida de Santa Isabel

Dinis morreu logo na sequência disso, em 1325. E, quando da sucessão da coroa para o filho Afonso, a rainha abdicou. Tendo doado parte de seus bens para os pobres e outra para o Convento de Santa Clara, a Velha, em Coimbra, onde viviam irmãs clarissas, foi para aí que ela se retirou – cumprindo, assim, seu sonho de infância.

Esse convento, vale pontuar, foi construído com financiamento da própria Isabel. Ao se retirar, acompanharam-na ainda, entrando para o convento, algumas de suas filhas e cortesãs. E, uma vez lá, a rainha passou a se vestir com o hábito de irmã, haja vista que, desde seu tempo de casada, já era terciária da Ordem Franciscana (a Ordem de São Francisco para leigos).

 

 

Em 1336, um novo conflito eclodiu, novamente envolvendo seu filho, o agora Rei Dom Afonso IV. Dessa vez, porém, o rival era o neto de Isabel, Dom Afonso XI de Castela – que era sobrinho e genro de Dom Afonso IV, sendo filho de Dona Constança. Ao saber disso, Isabel partiu em viagem para novamente tentar apaziguar a situação.

Chegando a Estremoz para negociar a paz, todavia, a santa caiu enferma, sendo recolhida a um convento da cidade, e sua doença avançou rapidamente. No quarto, acamada, pediu aos que desocupassem uma cadeira para que a bela Senhora de branco que via pudesse se sentar próximo a ela.

Ninguém mais viu a tal Mulher, mas foi feito conforme a rainha ordenou. E não houve dúvidas de que fosse a própria Virgem Maria quem viera buscá-la, pois logo em seguida ela faleceu.

Isabel já era venerada como santa ainda em vida, e muitos milagres eram relatados pelo simples toque de doentes em objetos que lhe pertenciam. Hoje, suas relíquias jazem em um convento de Coimbra que tem quase o mesmo nome daquele em que passou seus últimos anos: o Convento de Santa Clara, a Nova.

 

Leia também

Uma profecia de 700 anos: o nascimento de São João Batista

Dom Bosco: Vida, Obra e Legado

“Transmiti aquilo que recebi”: a história de Dom Lefebvre, do nascimento à sagração [Parte 1]

O que ocorre quando
você vira membro?

Membro
A partir de
R$ 5/mês

Você ajuda a financiar iniciativas de promoção da fé católica, como:

  • Construção da nova sede
  • Programa Chave Católica
  • Catequese Tradicional
  • Ação Católica
  • Aulas presenciais
  • Produção editorial
  • Filmes e séries
Torne-se membro ->