Christian Marquant, organizador-chefe da peregrinação deste sábado (24) que celebra os 19 anos do Motu Proprio Summorum Pontificum de Bento XVI, declarou ter recebido uma carta do Secretário de Estado do Vaticano, o Cardeal Pietro Parolin, proibindo a entrada dos peregrinos na Basílica de São Pedro. As informações são da jornalista do Vaticano Diane Montagna e foram divulgadas na tarde desta sexta-feira (23).
Segundo Marquant, a carta de Parolin dizia expressamente:
“Sua procissão não está autorizada a entrar na Basílica de São Pedro.”
Chama a atenção o fato de que, no começo de setembro, o Vaticano já havia proibido a realização da Missa Tridentina dessa peregrinação dentro da Basílica de São Pedro, que, por conta disso, será celebrada pelo Bispo Dom Athanasius Schneider no altar-mor da Basílica de Santa Maria Maior amanhã. Contudo, proibir até mesmo a entrada dos peregrinos é um passo além, e que chega mesmo a soar extremamente contraditório, tendo em vista que, no ano passado, foi permitida a entrada de uma peregrinação LGBT na basílica.
Iniciada em 2012, a peregrinação Ad Petri Sedem ocorre anualmente em celebração ao Motu Proprio Summorum Pontificum, publicado em 7 de julho de 2007 pelo então Papa Bento XVI. O documento – cujos efeitos foram mais tarde contraditos pelo Papa Francisco no Motu Proprio Traditionis Custodes – voltava a reconhecer a licitude da Missa Tridentina por todos os padres que desejassem celebrá-la, em consonância com a Bula Quo Primum Tempore, do Papa São Pio V.
Desde a publicação de Traditionis Custodes por Francisco, que restringia e desejava expressamente a extinção da Missa Tridentina de modo gradual, os peregrinos passaram a ser impedidos de celebrar a Missa no rito levado por São Pedro em pessoa a Roma na Basílica edificada em honra desse que foi o primeiro Papa da Igreja. Contudo, em 2025, o Papa Leão XIV havia recuado nessa proibição e permitido ao Cardeal Raymond Leo Burke que celebrasse a Missa de Sempre no Altar da Cátedra – o que se realizou em 25 de outubro daquele ano.
Vale lembrar que, na época do conclave que elegeu o então Cardeal Robert Prevost, jornais italianos noticiaram que ele teria se reunido com cardeais conservadores no apartamento de Burke em Roma, possivelmente para lhes dar garantias no intuito de conseguir os votos necessários para a sua eleição. Posteriormente, no entanto, pessoas próximas aos envolvidos negaram que tal encontro tivesse ocorrido.
Tendo havido ou não essa reunião, fato é que Leão XIV tem se mostrado feroz contra os católicos que defendem a Fé da Igreja e manso para com aqueles que jogam o nome da Esposa de Cristo na lama. Para recordarmos alguns eventos recentes, ao mesmo tempo em que ele próprio afirmou que a Igreja não possui a Verdade, mas está sempre em busca Dela, o Pontífice excomungou cerca de meio milhão de fiéis em junho deste ano por concordarem com as sagrações episcopais da Fraternidade Sacerdotal São Pio X em nome da defesa Fé e da Missa de Sempre. Não obstante, ele ainda teria assegurado a manutenção do Traditionis Custodes e que não retomaria o Summorum Pontificum, segundo dito pelo próprio Prefeito do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, o Cardeal Arthur Roche.
E mais: em documento vazado por Roche, que teria sido solicitado e aprovado sem ressalvas por Leão XIV, consta que o Novus Ordo Missæ (a missa nova de Paulo VI) é “a única expressão da lex orandi (lei orante) do Rito Romano”, repetindo as palavras do Traditionis Custodes.
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