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Torne-se membro ->Nem o mau tempo, nem o decreto de excomunhão publicado pela Santa Sé contra os bispos, sacerdotes, religiosos e leigos ligados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) na última quinta-feira (2) afastaram os fiéis da Missa de Sempre nesse fim de semana em São Paulo.
Uma foto que circulou nas redes sociais na manhã desse domingo (5) mostra uma longa fila formada diante da Capela São Pio X, na Vila Mariana, enquanto os fiéis aguardavam o término da Missa das 7h para participar da celebração das 9h. A capela pertence ao Priorado da FSSPX na capital paulista e fica na Rua Maurício Francisco Klein, 223.
O fato levanta uma pergunta inevitável: por que o decreto do Vaticano não esvaziou as capelas da Fraternidade?
O que muda para os fiéis?
Segundo o decreto publicado pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, os membros ligados à FSSPX foram declarados excomungados por cisma, e os sacramentos da penitência e do matrimônio administrados por seus sacerdotes deixariam de ser reconhecidos pela Santa Sé.
Na prática, os fiéis que desejarem retornar à chamada “plena comunhão” com Roma deverão recorrer ao bispo diocesano local e passar por uma cerimônia de readmissão. À primeira vista, isso poderia explicar a permanência deles junto à Fraternidade, já que muitos entendem que perderam o acesso regular aos sacramentos nas estruturas diocesanas. Mas essa explicação parece insuficiente.
Sanções inválidas
O ponto é que a maioria dessas pessoas já frequentava a FSSPX antes do decreto. Portanto, a grande presença de fiéis nas Missas deste domingo parece indicar algo mais profundo do que uma simples dificuldade de acesso aos sacramentos.
Os membros da Fraternidade costumam afirmar que permanecem ligados às suas capelas porque consideram que a crise atual da Igreja decorre de mudanças doutrinárias e pastorais introduzidas após o Concílio Vaticano II, as quais julgam incompatíveis com a Tradição Católica. Exemplos disso são a declaração conciliar de que Alá é o Deus dos cristãos (documento Nostra Aetate) e a afirmação do Papa Francisco de que todas as religiões levam a Deus (Encontro inter-religioso em Singapura, setembro/2024), negando o dogma católico de que “Extra Ecclesiam nulla salus”, ou seja, “Fora da Igreja Católica não há salvação”.
Já sobre o não-reconhecimento da Santa Sé em relação à validade dos sacramentos ministrados pela FSSPX a partir de agora, eles apontam uma flagrante contradição nisso: como podem ser inválidos o matrimônio e a confissão feitos na Fraternidade, se esses mesmos sacramentos são reconhecidos como válidos por Roma quando feitos nas Igrejas ditas "Ortodoxas"? Afinal, estas, sim, estão em cisma formal há quase mil anos, e não é apenas o Concílio Vaticano II que elas não reconhecem, mas concílios verdadeiramente dogmáticos que proclamaram verdades de Fé.
Por essa razão, muitos deles sustentam que as sanções impostas por Roma são injustas e, portanto, inválidas. Nas redes sociais, diversos frequentadores da FSSPX argumentaram que continuam a se considerar plenamente católicos e que não reconhecem legitimidade em uma punição aplicada precisamente por defenderem aquilo que entendem ser a Fé de sempre da Igreja.
O decreto produziu o efeito esperado?
Seja qual for a interpretação adotada, um dado parece claro: o decreto não provocou um afastamento imediato dos fiéis da Fraternidade. Ao contrário, ao menos em São Paulo, as imagens deste domingo sugerem que muitos deles compareceram às Missas normalmente, apesar da excomunhão declarada pela Santa Sé.
Para esses fiéis, a questão central não parece ser apenas a existência de sanções canônicas, mas a convicção de que permanecem fiéis à Tradição recebida dos Apóstolos. E é justamente por essa razão que continuam frequentando as capelas da FSSPX mesmo após o decreto do Vaticano.
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