Você ajuda a financiar iniciativas de promoção da fé católica, como:
Torne-se membro ->Quando São Pedro, a Roma, chegou, ele, para lá, levou um rito, uma forma de celebrar a Santa Missa. Vale lembrar que foi o próprio Cristo quem ordenou aos Santos Apóstolos que a Missa fosse celebrada por Seus sacerdotes até a consumação dos séculos, de modo a renovar o Seu sacrifício do Calvário perpetuamente (cf. Lc 22).
Mas o que houve com esse rito? Será que nós ainda o conhecemos? Ora, se há quem chame a Missa Tridentina de Missa de Sempre, bem como a mais perfeita expressão do Rito Romano, então seria ela a mesma Missa levada por São Pedro a Roma? Para descobrirmos isso, vejamos como o Rito Romano da Missa foi sendo enriquecido com o passar dos séculos.
Século I
Em primeiro lugar, a Consagração: por óbvio, ela advém das palavras do próprio Cristo na Santa Ceia e, sem ela, não há Missa. No momento da consagração, renova-se o sacrifício de Nosso Senhor sobre o altar – o mesmo sacrifício oferecido no alto da Cruz no Monte Calvário, porém de forma incruenta, isto é, sem derramamento de sangue.
Pois bem, após o martírio de São Pedro, em 29 de junho de 67, na capital imperial, o Chefe dos Apóstolos foi sucedido como bispo de Roma por São Lino, que chefiou a Igreja de 67 a 76. A este segundo papa se atribui a determinação da obrigatoriedade do uso do véu pelas mulheres durante a celebração da Santa Missa – o que, conforme dito por São Paulo, dá-se em sinal de submissão ao seu marido, seja ele Cristo ou um pecador (cf. 1Cor 11).
Já São Clemente, o quarto papa da Igreja Católica, que reinou entre 88 e 97, foi o responsável por introduzir o “Amém” ao final das orações.
Século II
Entre 105 e 115, o Papa Santo Alexandre introduziu, na Missa, a mistura da água ao vinho.
Seu sucessor, São Sisto, o sétimo papa, foi quem inseriu o canto Sanctus logo antes da consagração na Missa. Ele também foi o responsável por proibir que os leigos – os quais não possuem as mãos ungidas – tocassem os vasos sagrados. São Sisto reinou de 115 a 125.
O oitavo papa, São Telésforo, que reinou de 125 a 136, foi quem compôs o canto do Glória, o qual viria a ser introduzido oficialmente na Missa no século VI. Originalmente ele era parte integrante das Missas de Natal, mas depois se estendeu para as Missas dominicais e outras festas.
Após São Telésforo, Santo Higino, reinante de 136 a 140, determinou que os objetos sagrados não pudessem ser utilizados para fins profanos.
Também no século II há a menção por escrito de São Justino à leitura das “Memórias dos Apóstolos” durante a Missa, conforme mencionado em suas Apologias, que é a leitura de uma Epístola (quase sempre alguma das cartas do Novo Testamento) logo após a Coleta. O costume de se fazer uma leitura das Sagradas Escrituras, todavia, tem origem já na liturgia do Antigo Testamento, de modo que tanto a Epístola quanto a leitura do Evangelho na Missa se tratam da perpetuação desse costume.
Ainda do século II temos citações da realização de sermões durante a Missa, e é também dessa época que vem o Prefácio.
Século III
No século III temos os primeiros registros da saudação do sacerdote aos fiéis, “Dominus Vobiscum” (O Senhor esteja convosco), cuja resposta é “Et cum spiritu tuo” (E com o teu espírito).
Também do século III data a primeira menção à Oblação do Sacrifício que chegou até nós, mas ela pode ser ainda mais antiga.
O Per Quem Hæc Omnia, que encerra o Cânon da Missa, tem seus registros mais antigos datando pelo menos do século III. E a Oração Dominical (o Pai-Nosso) foi incluída na Missa também no século III, embora tenha sido ensinada pelo próprio Cristo no século I (cf. Mt 6).
Ainda no século III, o Papa São Félix, que reinou de 269 a 274, estabeleceu que as Missas deveriam ser celebradas sobre as relíquias dos mártires – o que, à época, significava o corpo inteiro do santo, razão pela qual, desde então, todos os altares do mundo passaram a ter a relíquia de um mártir guardada em si. E Santo Eutiquiano, seu sucessor, foi quem inseriu o Ofertório na Missa. Ele reinou de 275 a 283.
As orações da Coleta, por sua vez, têm os seus registros conforme o que consta na Missa Tridentina datados do século III e também dos séculos IV e V.
Século IV
A seguir, devemos pontuar que é impossível afirmar quando surgiu o Cânon Romano. Contudo, seguindo a nossa cronologia, sabemos que já no século IV os seus textos eram quase idênticos aos que se têm na Missa Tridentina ainda hoje, com algumas modificações tendo sido feitas no século V e a última alteração ocorrendo no final do século VI por São Gregório Magno. Desde então, a única modificação por que passou se deu pelas mãos de João XXIII, que, em 1962, incluiu nele o nome de São José. Portanto, ao longo de, no mínimo, 1600 anos, essa oração tem sido dita por todos os padres da Igreja na Missa, de Santo Agostinho a São Pio de Pietrelcina.
Também pelo menos desde o século IV, podendo ser antes, há o primeiro Memento do Cânon, o qual sofreu alterações no século V.
Outra parte do Cânon, o Quam Oblationem, tem seu primeiro registro datando do século IV, e desse mesmo período temos o Unde Et Memores, o Supra Quæ Propitio e o Supplices Te Rogamos, que ocorrem após a consagração.
Fechando o século IV, temos a redação do rito da comunhão dos fiéis tal como está no Missal de São Pio V, que remonta, no mínimo, a esse período – sendo que, por óbvio, também já existia desde o tempo apostólico, como lemos no Novo Testamento, tendo sido instituído por Nosso Senhor (cf. 1Cor 10s).
Século V
Do século V vêm os registros mais antigos sobre o Intróito, que é a antífona de abertura da Missa. Na sequência dele, o Kyrie, por meio do qual o sacerdote e os fiéis imploram a misericórdia divina, data, também, no mínimo dessa época. Sobre o Kyrie, vale comentar que ele é entoado nove vezes de modo a unir as vozes da Igreja Militante aos coros das nove ordens angélicas, e também que tais entoações são divididas em três partes para que se dirijam a Deus Pai nos três primeiros "Kyrie Eleison"; a Deus Filho nos três "Christe Eleison"; e a Deus Espírito Santo nas três "Kyrie Eleison" finais.
Ainda do século V são os registros mais antigos que se tem do Gradual e do Trato, que ocorrem na sequência da leitura da Epístola.
Remonta também ao século V a inserção do Credo na Missa. Note que, na Missa Tridentina, reza-se sempre o Credo Niceno-Constantinopolitano (que foi estabelecido no século IV para erradicar certas heresias da Igreja), e não o Símbolo dos Apóstolos. Já o costume de se ajoelhar no Credo quando se professa a encarnação de Nosso Senhor data do século XIII:
“Qui propter nos hómines, et propter nostram salútem, descéndit de Cælis (aqui todos ajoelham): Et incarnátus est de Spíritu Sancto, ex María Vírgine, et homo factus est.”
Ou seja:
“Que, por nós, homens, e para a nossa salvação, desceu dos Céus (aqui todos ajoelham): E se encarnou pelo Espírito Santo, no ventre da Virgem Maria, e se fez homem.”
Outra observação importante é que o Credo encerra a Missa dos Catecúmenos – ou Ante-Missa –, assim chamada porque, nos primeiros séculos, os catecúmenos – isto é, aqueles que estavam se preparando para o batismo – só podiam assistir a celebração até este momento, sendo convidados a se retirarem quando do início efetivo da Missa, que se dá com o Ofertório, do qual logo falaremos.
Pois bem, desse mesmo século V nos chega o texto atual do Te Igitur, que é a primeira oração do Cânon Romano, por meio da qual o padre reza pelo papa, pelos bispos e por todos os fiéis. Note, porém, que o Te Igitur já existia antes disso, e, apenas para frisar, essa datação diz respeito tão somente à redação que ainda hoje se usa na Missa Tridentina.
Na sequência temos o Communicantes, cujo texto atual também remonta ao século V, assim como o que o segue: o Hanc Igitur, oração rezada pelo sacerdote quando ele impõe as mãos sobre as oferendas.
O Memento dos Mortos, cuja origem é imemorial, tem o seu texto atual datando também em registros do século V, assim como o Nobis Quoque Peccatoribus e o Libera Nos Quæsemus (rezado logo após o Pai Nosso), cujas únicas alterações recebidas por ambos foram as inserções de alguns nomes de santos no final do século VI por São Gregório Magno.
Encerrando o século V, a expressão que é dita logo após a comunhão, “Ite, Missa est” (Ide, a Missa acabou) – à qual os fiéis respondem com “Deo Gratias” (Graças a Deus) –, tem a sua primeira menção escrita datando do século V, embora seja de uso imemorial.
Século VII
A bênção que se segue ao “Ite, Missa est” data do século VII, mesmo período em que o Agnus Dei foi inserido na Missa. E é pelo menos dos séculos VII e VIII que datam o Lavabo e as orações que o acompanham.
Século VIII
Do século VIII temos o primeiro registro da inserção do Confiteor na Missa, sendo que a redação atual presente na Missa Tridentina vem do século XII. Nessa oração, o padre reza:
"Confiteor Deo Omnipotenti, Beatæ Mariæ Semper Virgini, Beato Michæli Archangelo, Beato Ioanni Batistæ, Sanctis Apostolis Petro et Paulo, et omnibus Sanctis, quia peccavi nimis cogitatione, verbo et opere: mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa.
Ideo precor beatam Mariam Semper Virginem, Beatum Michaelem Archangelum, Beatum Ioannem Baptistam, Sanctos Apostolos Petrum et Paulam, et omnes Sanctos, orare pro me ad Dominum Deus Nostrum. Amen."
Isto é:
"Confesso a Deus Todo-Poderoso, à Bem-Aventurada Sempre Virgem Maria, ao Bem-Aventurado Miguel Arcanjo, ao Bem-Aventurado João Batista, aos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, e a todos os Santos, que pequei muitas vezes por pensamentos, palavras e ações: por minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa.
Por isso, rogo à Bem-Aventurada Sempre Virgem Maria, ao Bem-Aventurado Miguel Arcanjo, ao em-Aventurado João Batista, aos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, e a todos os Santos, rogai por mim a Deus Nosso Senhor. Amém."
Na sequência, rezam-na os fiéis, porém confessando suas culpas também ao padre e, depois, inserindo o sacerdote dentre aqueles a quem se recorre à intercessão diante de Cristo.
Ainda do século VIII data a redação da oração que, na Missa Tridentina, abre o Ofertório, o Suscipe, Sancte Pater.
A redação do Suscipe, Sancte Pater, rezado pelo sacerdote até hoje, sem alterações, na Missa Tridentina, diz assim:
“Suscipe, sancte Pater, omnipotens æterne Deus, hanc immaculatam hostiam, quam ego indignus famulus tuus offero tibi, Deo meo vivo et vero, pro innumerabilibus peccatis, et offensionibus, et negligentiis meis, et pro omnibus circumstantibus, sed et pro omnibus fidelibus Christianis vivis atque defunctis: ut mihi, et illis proficiat ad salutem in vitam æternam. Amen.”
Ou seja:
“Recebei, Pai santo, Deus onipotente e eterno, esta hóstia (vítima) imaculada, que eu, vosso indigno servo, vos ofereço, ó meu Deus vivo e verdadeiro, pelos meus inúmeros pecados, ofensas e negligências, e por todos os que aqui estão presentes, assim como por todos os fiéis cristãos, vivos e defuntos, para que a mim e a eles aproveite para a salvação na vida eterna. Amém.”
As demais orações do Ofertório que ocorrem na Missa Tridentina datam tanto do século VIII quanto dos séculos IV e X.
Século IX
As primeiras menções à Sequência, que ocorre em algumas solenidades antes da leitura do Evangelho, datam do século IX.
Também do século IX temos os primeiros registros da incensação durante o Ofertório, embora a incensação do altar já fosse feita no tempo da Antiga Aliança, bem como também o faziam os pagãos de Roma ao adorarem suas divindades. Não obstante, na liturgia grega esse costume foi inserido pelo menos desde o século III.
Século X
De antes, ainda, do século X, vem a expressão que o padre diz após o Ofertório: “Orate, fratres” (Orai, irmãos). E é do século X que têm seu primeiro registro as Orações Antes da Comunhão, as quais antecedem a comunhão do celebrante.
Retomando o tema do Ofertório, ele se encerra com o sacerdote rezando o Suscipe, Sancta Trinitas, cujos primeiros textos litúrgicos que o mencionam datam dos séculos X e XI. Essa oração foi universalizada por São Pio V no século XVI, e diz:
“Suscipe, sancta Trinitas, hanc oblationem, quam tibi offerimus ob memoriam passionis, resurrectionis, et ascensionis Jesu Christi, Domini nostri, et in honorem Beatæ Mariæ Semper Virginis, et Beati Ioannis Baptistæ, et Sanctorum Apostolorum Petri et Pauli, et istorum, et omnium sanctorum: ut illis proficiat ad honorem, nobis autem ad salutem: et illi pro nobis intercedere dignentur in cælis, quorum memoriam agimus in terris. Per eumdem Christum Dominum nostrum. Amen.”
Ou seja:
“Recebei, ó Trindade Santíssima, esta oblação, que vos oferecemos em memória da Paixão, Ressurreição e Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo, e em honra da Bem-Aventurada Sempre Virgem Maria, de São João Batista, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, e de todos os Santos; para que a eles sirva de honra e a nós de salvação, e eles se dignem interceder, no Céu, por nós que, na Terra, celebramos sua memória. Pelo mesmo Cristo, Senhor Nosso. Amém.”
Século XII
Pelo menos desde o século XII é que se tem os primeiros registros das chamadas Orações ao Pé do Altar no Rito Romano. Elas configuram o primeiro ato do sacerdote na Missa Tridentina e são compostas pela recitação do Salmo 42, versículo 4, “Introibo ad altare Dei” (Subirei ao altar de Deus), ao que o acólito (sempre um homem) responde: “ad Deum qui lætificat juventutem meam” (ao Deus que alegra a minha juventude).
Século XIII
Por fim, a última inserção relevante ao Rito Romano (à Missa Tridentina) antes de Leão XIII introduzir as Orações Leoninas no século XIX foi justamente aquilo que o encerra: o último Evangelho, que é sempre a leitura do primeiro capítulo do Evangelho segundo São João (“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus...”). Esse elemento foi inserido na Missa no século XIII.
Missa de Sempre ou Missa do século XVI?
Diante do exposto, parece-vos, ainda, plausível dizer que a Missa Tridentina foi “inventada” por São Pio V de igual modo ao que fez o bispo Annibale Bugnini em conluio com os hereges e a mando de Paulo VI após o Concílio Vaticano II, quando da formulação do Novus Ordo Missæ?
Como vimos, a Missa Tridentina é, sem exageros na afirmação, a Missa de Sempre, pois é a mesma Missa, o mesmo rito, que São Pedro levou a Roma no século I. Essa Missa, assim como um bebê recém-concebido, cresceu de forma orgânica no decorrer da História, chegando à maturidade quando, no século XVI, São Pio V, por determinação do Sacrossanto Concílio de Trento, padronizou-a. Ninguém a “inventou”; ninguém a “criou” em um laboratório repleto de hereges para agradá-los. Ela se desenvolveu junto à teologia católica, sendo enriquecida no percurso dos séculos, e se tornou a mais perfeita expressão da Fé da Igreja no sacrifício de Cristo que se renova sobre o altar toda vez que o sacerdote, agindo in persona Christi, celebra-a.
Que Deus abençoe, converta e salve a cada um de nós.
Viva Cristo Rei! Viva Nossa Senhora Corredentora e Medianeira de Todas as Graças! E viva a Santa Igreja Católica!
Leia também:
Roma volta a impedir a Missa Tridentina na Basílica de São Pedro
Jornal afirma que Leão XIV quer o fim da Missa de Sempre
Diocese nos EUA encerrará missas dominicais em 7 paróquias


