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Torne-se membro ->Dom Héctor Agüer, arcebispo emérito de La Plata, na Argetina, escreveu uma carta aberta em 1º de junho na qual celebra a adesão de diversos jovens na Europa à Missa Tridentina e acusa o criador da missa nova, o finado arcebispo Annibale Bugnini, de ter pertencido à Maçonaria. O documento foi publicado no blog Rorate Cæli.
“Os meios de comunicação e, sobretudo, as redes sociais apontam que em vários países europeus, particularmente entre os jovens, a ‘Missa Tradicional’ está sendo vivida com fervor, acompanhada de numerosas procissões e peregrinações.”
Para ele, o diagnóstico é claro:
“Trata-se de uma recuperação da tradição católica, que havia sido sufocada nesses países pelo liberalismo, progressismo e ateísmo.”
Missa de Sempre
Dom Agüer também destacou a antiguidade da Missa Tridentina:
“A ‘Missa Tradicional’ pode ser assim chamada porque remonta aos séculos IV e V e permaneceu em vigor por séculos, pelo menos até o Concílio de Trento, que a revisou e republicou para que chegasse aos nossos dias.”
Apenas uma observação neste ponto (que foi, inclusive, revisado pelo próprio autor em seu texto original): em verdade, a Missa Tridentina, também chamada de Missa Tradicional, Missa de São Pio V ou Missa de Sempre, remonta a São Pedro. Isso porque, desde o século I, com a chegada do primeiro Papa a Roma, até o Concílio Vaticano II, o rito que hoje chamamos “tridentino” foi aquele celebrado na antiga capital imperial, embora tenha se desenvolvido organicamente, como uma frondosa árvore frutífera, ao longo dos séculos, tendo passado por apenas duas grandes “podas”, se assim podemos chamar, ao longo desses 1900 anos, com São Gregório Magno e São Pio V. E chamo “poda” porque se trataram mesmo de pequenos ajustes com vias à unificação do rito – diferentemente do que foi feito por Bugnini a mando de Paulo VI, quando se buscou derrubar essa árvore praticamente bimilenar para que se erguesse em seu lugar a Torre de Babel intitulada “missa nova” ou Novus Ordo Missæ.
Sobre isso, porém, trataremos em outro artigo. Prossigamos, agora, com a carta do arcebispo.
Antes e depois do Concílio Vaticano II
O arcebispo argentino disse ainda:
“A Missa definiu o Catolicismo desde o Concílio de Trento até o Vaticano II.”
Assim escreveu porque, durante esse período, a Santa Missa foi a mais perfeita expressão da Fé Católica – algo que, segundo o próprio prelado, perdeu-se a partir de Paulo VI e Bugnini:
“Durante o pontificado de Paulo VI (Giovanni Battista Montini), que sucedeu o breve pontificado de João XXIII (que havia convocado o Concílio Ecumênico), uma nova missa foi criada. Algumas modificações aqui e ali poderiam ter sido introduzidas na ‘Missa Tradicional’, como já havia ocorrido durante seus séculos de existência. Mas não; o Vaticano II buscou reformular tudo, e uma nova missa deveria brotar de seu espírito. Sempre válida, certamente; mas não isenta de ambiguidades que foram deixadas ao critério dos celebrantes.”
Maçonaria: arquiteta da missa nova?
Na sequência, acusou Bugnini de ter pertencido à Maçonaria:
“O autor da missa nova foi o Arcebispo Annibale Bugnini, reconhecido como maçom segundo documentos incontestáveis, embora secretos, em pleno acordo com a natureza da Maçonaria.”
E teceu mais críticas à missa nova:
“Nela, o sacerdote fica de frente para o povo; as leituras bíblicas são multiplicadas e, com o tempo, diversas Orações Eucarísticas foram autorizadas, criando um cânone distinto do cânone único da ‘Missa Tradicional’. Parece que, na missa de Paulo VI e Bugnini, o sacerdote que oferece o rito deve se esforçar para se dirigir a Deus e garantir que os fiéis não se confundam.”
A Tradição vencerá a crise na Igreja?
Mais para o final da carta, afirmou:
“Peregrinações como Paris-Chartres, Rawson-Luján (Argentina), Oviedo-Covadonga (Espanha), Roma-Subiaco (Itália) e outras que surgem aqui e ali, dizem-nos algo inegável: a ortodoxia e a Tradição estão saudáveis e são uma garantia para o futuro.”
Por fim, chamou a atenção para casos de abusos litúrgicos cometidos mesmo entre seus pares e reverberou o conteúdo da bula Quo Primum Tempore, por meio da qual o Papa São Pio V codificou a Missa de Sempre no século XVI:
“Cabe observar, por exemplo, o caso de um certo bispo que entrou na missa de skate, ou de alguns padres que se vestem de palhaço ao celebrar. Tais ultrajes só podem provocar um efeito dominó. Como a Igreja ensina corretamente, ‘ninguém, nem mesmo sacerdote, pode acrescentar, retirar ou alterar nada’ do que está estabelecido nos livros litúrgicos. Não se trata de criatividade, mas de fidelidade.”
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