17 de July de 2026 Notícia
8 min

Padre de Brasília rebate acusação de cisma e denuncia escândalos na Arquidiocese

O pe. Françoá divulgou carta nessa quinta (16) onde denuncia escândalos sexuais e religiosos da Arquidiocese de Brasília, relata censura e defende a FSSPX.

Yago Portella

Yago Portella

Redação CDB



O capelão da Capela Santo Atanásio de Brasília/DF, padre Françoá Costa, publicou nessa quinta-feira (16) uma carta aberta e um vídeo em resposta à acusação de cisma e à declaração de excomunhão feitas contra ele pelo Cardeal Arcebispo de Brasília Dom Paulo Cézar Costa, conforme noticiado pelo Centro Dom Bosco.

Em reação aos ataques perpetrados pelo cardeal, Françoá rejeitou a acusação de cisma, reafirmou seu alinhamento à FSSPX e aproveitou a carta para denunciar escândalos morais na Arquidiocese de Brasília, relatar episódios de censura e criticar aquilo que chamou de "igreja sinodal", nascida após o Concílio Vaticano II.

Escândalos sexuais e corrupção na Arquidiocese

O padre relatou que por diversas vezes a Arquidiocese de Brasília teve de lidar com escândalos de ordem moral, “como foi o caso do Pe. Delson Zacarias, que se encontrava numa paróquia do Lago Sul, condenado a mais de 44 anos de prisão por abusos sexuais e estupros em série entre 2014 e 2021; do Pe. José Maria, de uma Paróquia da Asa Sul, filmado enquanto praticava atos libidinosos homossexuais; dos Padres Freis Hoslan Guedes e Alex Nuno, investigados por abusos a menores aqui no contexto de uma paróquia da Ceilândia”.

Françoá disse ainda que nem mesmo os bispos honram o seu celibato, e afirmou que “talvez o caso mais escandaloso tenha sido o de Dom Valdir Mamede, nomeado bispo auxiliar de Brasília e depois bispo de Catanduva (SP). Dom Valdir foi do alto clero da Arquidiocese: pároco em pelo menos 3 paróquias de Brasília, professor de Direito Canônico no Seminário, presidente do tribunal eclesiástico de Brasília, entre outras funções. Estando em altos cargos nesta Arquidiocese, foi elevado ao Sagrado Episcopado, certamente para desonrá-lo; de fato, Dom Valdir agora é réu em São Paulo após denúncia do Ministério Público por importunação sexual contra um padre.”

Não obstantes tais relatos, ele ainda declarou ter conhecimento sobre “documentos contra alguns senhores bispos, nos quais suas reputações tampouco ficam ilibadas”. Apesar disso, afirmou que não exporia em esses casos sem que eles antes já tivessem sido divulgados ao público, pois “os casos anteriormente descritos podem ser encontrados em vários meios de informação, máxime no jornal Metrópoles, cuja capacidade para juntar escândalos de padres é significativa em Brasília.”

“Como não me podem condenar por escândalos, procuram expulsar-me por ser católico.”

Diante dessas denúncias contra tantos membros do clero de Brasília, padre Françoá disse de si mesmo:

“Quanto a mim, não me consta que nesses 22 anos de sacerdócio eu tenha me unido nem com uma mulher, nem com um homem, nem com uma criança, tampouco me consta que eu tenha roubado alguma paróquia, como foi o caso escandaloso de corrupção envolvendo padres e militares, que aconteceu numa Capelania Militar da Asa Norte. Enfim, como não me podem condenar por escândalos, procuram expulsar-me por ser católico.”

Censurado por denunciar atos de macumba em igrejas da Arquidiocese de Brasília

O padre afirmou também ter sido censurado pela Arquidiocese ao denunciar um evento de macumba realizado dentro da Catedral de Brasília em 2023. Confira o relato:

“Exatamente porque acredito em todas e em cada uma das verdades católicas, denunciei, nesta Arquidiocese, eventos de macumba em templos católicos, seja em uma Paróquia de Sobradinho, em setembro de 2022, seja um outro realizado dentro da própria Catedral de Brasília, no dia 9 de novembro de 2023. No dia 13 de novembro, a Arquidiocese apenas emitiu uma Nota conciliadora. Como eu denunciei e o meu vídeo na época, em pouco tempo, viralizou, recebi uma ligação de alguém que falava em nome do Senhor Arcebispo para que eu retirasse o vídeo, o que, na época, eu fiz, pois talvez eu acreditasse na obediência cega que eles tanto apregoam.”

“Corrigido” por ensinar a Fé Católica

Françoá declarou também que, certa vez, pregou a um grupo de católicos da Paróquia Senhor Bom Jesus sobre os erros protestantes ao comentar um texto do Evangelho que fala dos “irmãos” de Jesus, “que não são filhos da sempre Virgem Maria”. Ocorre, porém, que ele disse ter sido denunciado à Arquidiocese por isso.

Frente a essa situação, afirmou que, “em lugar de sustentarem o combate pelo seu sacerdote, um dos seus bispos auxiliares, Dom Denilson, veio me chamar a atenção, corrigindo-me”. E comentou não compreender a correção “por pregar catolicamente”.

“Podemos e devemos resistir ao Papa que agride as almas”

O padre defendeu que nem ele, nem os fiéis de sua capela são cismáticos, mas católicos, submetidos ao Papa “em tudo aquilo que é católico”. E explicou a submissão de um católico ao Romano Pontífice não é absoluta, mas depende das ordens no âmbito da Fé e dos costumes por ele expressas não serem contrárias à Lei de Deus. Isso porque “Atos dos Apóstolos, no capítulo 5, versículo 29, diz que nós precisamos obedecer antes a Deus do que aos homens”.

Nesse sentido, citou Santo Tomás de Aquino, alegando que “às vezes acontece que as ordens de um superior são contra Deus, portanto deve-se obedecer a Deus e não aos homens quando suas ordens contrariam as do Senhor”.

Ele também mencionou São Roberto Belarmino para justificar sua posição, dizendo:

“Assim como é lícito resistir ao Papa que agride fisicamente o corpo, é igualmente lícito e imperativo resistir ao Papa que agride as almas ou destrói a ordem da Igreja.”

“Desde o Concílio Vaticano II, os Papas têm destruído a ordem da Igreja”

Françoá disse ainda ser “fato que os Papas, desde o Concílio Vaticano II (CVII), têm dito e realizado ações que verdadeiramente destroem a ordem da Igreja”. E acrescentou que esse concílio serviu para “destruir as grandes verdades da nossa Fé e os costumes que nós sempre guardamos”.

“O Concílio Vaticano II não é a favor do reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo; o CVII não tem clara a unicidade da Igreja Católica; o CVII é a favor do ecumenismo, é a favor de uma missa nova, que, por sinal, saiu protestantizada; e por isso Dom Marcel Lefebvre (fundador da FSSPX), que estava no CVII, opôs-se ao concílio dizendo que ele estava envenenado e que as reformas que o seguiram também estavam empeçonhadas.”

Igreja Católica vs. Igreja Sinodal

Desabafando sobre a sua situação antes de aderir à FSSPX, o padre disse que “não aguentava mais esse sistema perverso contra a fé católica instaurado pelo modernismo, pelo Concílio Vaticano II e pelos senhores bispos da CNBB; não suportava mais rezar aquela Missa protestantizada de Paulo VI; já me davam nojo aqueles encontros ecumênicos, que eu tinha que abençoar a pedido episcopal; não suportava mais ter que calar sobre o reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo no contexto da Igreja Conciliar do Vaticano II; asfixiava-me a falsidade com a qual tínhamos que agir perante os bispos para que eles nos deixassem viver um pouco a nossa fé católica e ter uma paróquia; cansava-me ter que passar de paróquia em paróquia, trabalhando nelas uma ‘maquiagem católica’, já que não me permitiam transformá-las em paróquias verdadeiramente católicas”.

Ele também declarou que há, hoje, duas Igrejas: a Católica e a “Outra”, que classificou como um parasita que se aproveita das estruturas da única Igreja verdadeira.

“O que se vive hoje na nova Igreja Católica, sinodal, modernista, globalizada, afeminada, é uma farsa; desta Igreja conciliar, que espalha a morte das almas, eu mesmo me excluo e nada tenho a ver com ela. Ao mesmo tempo, sou consciente que a Igreja Conciliar Sinodal, a atual Igreja Católica modernista, é um parasita que cresceu utilizando as estruturas desta árvore frondosa, que é a Igreja Católica, a verdadeira. De fato, ‘é ridículo e desonra bastante abominável sofrer a destruição das tradições que recebemos, desde a antiguidade, dos nossos antepassados’ (Decretais, XII, citadas por Santo Tomás de Aquino, S. Th. I-II, 97, 2).” 

A luta da FSSPX e a apostasia do alto clero

Françoá afirmou que “a luta da FSSPX é para arrancar esse parasita colegial-sinodal chamado a Outra Igreja Católica, a Modernista”. Ele disse ter consciência de que a Fraternidade, seguindo os passos de Dom Lefebvre, “luta pela Roma eterna, pela verdadeira Igreja Católica, pela restauração de todas as coisas em Cristo, pelo triunfo da Fé Católica, pela exaltação do Papa e dos bispos, pelo bem das almas, pelo reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo.”

Ele defendeu que “as Sagrações Episcopais do dia 1º de julho de 2026 foram pela salvação das almas”. E, citando as palavras lidas durante as Sagrações, disse que a Igreja Católica defende o que foi feito pela FSSPX:

“Dado que desde o Concílio Vaticano II até hoje, as autoridades da Igreja têm sido animadas por um espírito contrário ao da Fé e agem contra a santa Tradição – ‘já não toleram a sã doutrina, desviando os ouvidos da verdade para se voltarem para os mitos’, como diz São Paulo a Timóteo na sua segunda epístola (IV, 3-5) – consideramos diante de Deus que é um dever sagrado para com a santa Igreja e para com as almas proceder à consagração de bispos plenamente fiéis à santa Tradição e ao constante Magistério da Igreja.”

Exortação à conversão

O sacerdote fez, ainda, uma exortação ao clero, dizendo: “Dom Paulo Cézar e demais bispos, é preciso converter-se! Se não, vão perecer todos.” E declarou que “qualquer bispo coerente, qualquer padre reto, deveria unir-se às posições da FSSPX sem perder tempo. Afinal de contas, como fiéis, somos filhos da Igreja, nossa Mãe; como sacerdotes, somos esposos da Igreja, porém no único esposo Nosso Senhor Jesus Cristo. Seja como filho, seja como esposo, não posso ficar indiferente à minha mãe, à minha esposa; nenhum sacerdote deveria se acovardar diante da sexta-feira santa da Igreja.”

Por fim, disse que todos devem esperar “o dia em que a Providência Divina nos dará dias melhores, nos quais Nosso Senhor Jesus Cristo reinará efetivamente e a Igreja Católica se encontrará plenamente restaurada n’Ele, ao qual seja a glória pelos séculos dos séculos: que Ele nos conceda a benção agora e na eternidade. Assim seja.”

 

Leia também:

Vaticano excomungou padre brasileiro? Entenda o caso.

Cardeal diz que ninguém precisa da Igreja para ser salvo

Por que Roma não excomunga bispos que celebraram união gay?

O que ocorre quando
você vira membro?

Membro
A partir de
R$ 5/mês

Você ajuda a financiar iniciativas de promoção da fé católica, como:

  • Construção da nova sede
  • Programa Chave Católica
  • Catequese Tradicional
  • Ação Católica
  • Aulas presenciais
  • Produção editorial
  • Filmes e séries
Torne-se membro ->