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Torne-se membro ->No último 2 de julho, o cardeal suíço Kurt Koch, Prefeito do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, concedeu uma entrevista ao teólogo alemão Jan-Heiner Tück para falar sobre a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX). Isso porque, um dia antes, a FSSPX sagrou quatro novos bispos sem autorização do Papa no intuito de defender a Fé da Igreja ante aquilo que considera como heresias do Concílio Vaticano II. Em resposta, o Vaticano declarou a Fraternidade como cismática e excomungada.
Em dado momento da entrevista, Tück questionou o cardeal sobre os pontos do concílio dos quais a FSSPX discorda e que estão intimamente ligados ao dicastério do qual ele é prefeito.
“Os pontos de contestação também incluem a abertura ecumênica; ela é rejeitada pela FSSPX, e eles exigem que todos os não-católicos retornem ao seio da única e verdadeira Igreja. Por que essa exigência, que se conecta ao dogma do Concílio de Florença, Extra Ecclesiam nulla sallus – ou seja, ‘Fora da Igreja não há salvação’ –, tornou-se difícil nos dias de hoje sob as condições modernas?”
Ante tal pergunta, Koch respondeu que, “(apesar de) esta fórmula, Extra Ecclesiam nulla sallus, aplicar-se naturalmente aos católicos que estão convencidos de que a Igreja Católica aponta o caminho para a salvação eterna”, “Deus quer a salvação de todas as pessoas, (por isso) Ele encontra outros caminhos para salvar quem nunca se alinhou ao Evangelho de Jesus Cristo”.
Na mesma resposta, o cardeal ainda afirmou que “a FSSPX envia para o inferno todos os que não estão na Igreja Católica”. E disse não saber como isso se alinha com “a convicção fundamental da Sagrada Escritura de que Deus quer que todas as pessoas se salvem”.
Afinal, a Igreja é indispensável para a salvação dos não-católicos?
Isto a própria Igreja responde a nós e ao cardeal quando, no Catecismo de São Pio X, o Papa Santo afirma de forma taxativa:
“Fora da Igreja Católica, Apostólica, Romana, ninguém pode salvar-se, como ninguém pôde salvar-se do dilúvio fora da arca de Noé.” (§170)
E responde também, mais de 100 anos antes, ao questionamento de Koch, que afirma não saber como isso pode se alinhar com a vontade de Deus de que todos se salvem. Diz o santo:
“Jesus Cristo morreu pela salvação de todos os homens, mas nem todos se salvam, porque nem todos O querem reconhecer, nem todos guardam a Sua Lei, nem todos se valem dos meios de santificação que nos deixou.” (§13 e §14)
E quanto aos Patriarcas e Profetas do Antigo Testamento? Eles não foram para o Céu?
São Pio X, porém, não para por aí. Ao comentar sobre como foram salvos os justos do Antigo Testamento – como Santo Abraão, São Moisés, Santo Elias, etc. –, o Santo Padre explica que:
“Todos os justos do Antigo Testamento se salvaram em virtude da fé que tinham em Cristo que havia de vir, por meio da qual eles já pertenciam espiritualmente a esta Igreja.” (§171)
Ou seja, embora não pudessem ser batizados – e, assim, estavam impedidos de se ligarem ao corpo da Igreja –, eles estavam ligados à alma dela e, portanto, faziam parte sim da Igreja Católica. Não há, no Céu, uma única alma que não seja católica, pois esta é a Religião verdadeira.
Então todos os não-católicos serão condenados?
O Romano Pontífice do começo do século XX, contudo, trata, ainda, da questão que parece o cerne da discussão: a salvação daqueles que não professam a Fé Católica. Diz ele:
“Quem, encontrando-se sem culpa sua — quer dizer, em boa fé — fora da Igreja, tivesse recebido o batismo, ou tivesse desejo, ao menos implícito, de o receber e, além disso, procurasse sinceramente a verdade, e cumprisse a vontade de Deus da melhor maneira possível, ainda que separado do corpo da Igreja, estaria unido à alma dela, e portanto no caminho da salvação.” (§172)
Que quer dizer isto? Que mesmo aqueles que não professam a Fé Católica só podem ser salvos se desejarem se tornar católicos, pois, assim como a doutrina do Batismo de Desejo se aplica àqueles que, querendo se batizar para pertencerem formalmente à Igreja, morrem sem conseguirem concretizar isso – havendo, portanto, um impedimento físico alheio à sua vontade –, ela também se aplica àqueles que, desejando se tornarem católicos, não o fazem porque não sabem que é isto o que desejam. Como assim?
Se a vontade de Deus é que todos se salvem, e a Sã Doutrina ensina que fora da Igreja Católica não há salvação, logo a vontade de Deus é que todos sejam católicos. Assim, se uma pessoa deseja cumprir a vontade de Deus, mas, por um impedimento alheio a si (ignorância invencível), não sabe que a vontade de Deus é que ela seja católica, o que essa pessoa deseja, ainda que de modo implícito, é ser católica, o que a faz receber o Batismo de Desejo.
Fora da Igreja Católica não há salvação
Desse modo, a Doutrina Católica – a Sagrada Tradição – é clara ao ensinar que ninguém pode ser salvo fora da Igreja Católica e que não há outros caminhos que possam salvar as pessoas. Afinal, é o próprio Jesus quem diz no Evangelho:
“Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai se não por mim.” (Jo 14, 6)
E ainda ordena aos Seus Apóstolos:
“Ide, fazei discípulos Meus todos os povos e nações, batizando-os em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Quem quer e for batizado será salvo. Quem não crer já está condenado.” (cf. Mt 28, 19 e Mc 16, 15s)
Não poderia haver ensinamento mais claro: somente através do batismo, ainda que de desejo, uma pessoa pode ser salva, pois apenas Jesus, o Diviníssimo Esposo da Santa Igreja Católica – que é o Corpo Místico do Senhor –, é o Caminho que leva ao Pai.
Ele não instituiu outros caminhos de salvação, como sugere o Cardeal Koch, mas deixou expresso que, conforme ensina o dogma católico: Fora da Igreja Católica não há salvação.
Viva Cristo Rei! Viva Nossa Senhora Corredentora! E viva a Santa Igreja Católica!
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