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Torne-se membro ->Em nosso último artigo sobre a vida de Dom Marcel Lefebvre, tratamos de sua visão a respeito do Concílio Vaticano II (CVII). Vimos que ele participou da elaboração dos esquemas preparatórios para o concílio, a derrubada desses textos de modo unilateral por João XXIII para agradar a ala progressista, os paralelos entre a Revolução Francesa e o CVII e a morte do papa, bem como a eleição de seu sucessor, Paulo VI. E é daqui que seguiremos.
Após a eleição de Giovanni Battista Montini, que adotou o nome Paulo VI, para assumir a Cátedra de São Pedro, o concílio continuou. E, vendo a organização da ala progressista, alguns padres conciliares decidiram formar o seu próprio grupo para freá-los. Foi assim que, encabeçado pelo bispo Dom Marcel Lefebvre, surgiu o Coetus Internationalis Patrum (Grupo Internacional de Padres), do qual participaram 250 padres conciliares, dentre os quais o cardeal Dom Alfredo Ottaviani – que, à época, chefiava a Sagrada Congregação do Santo Ofício – e também o bispo brasileiro Dom Antônio de Castro Mayer, o Leão de Campos.
Apesar de algumas vitórias pontuais, como o adiamento por cinco vezes da votação da Dignitatis Humanæ, que trata da dita “liberdade religiosa”, o Coetus não pôde conter a aliança progressista no concílio. E, hoje, isso é nítido para qualquer pessoa que olhe com sinceridade intelectual para a terrível crise que se abate sobre a Igreja desde (principalmente) o topo de sua hierarquia: papa, cardeais e bispos.
A questão judaica
Um ponto que não pode ser esquecido quando se fala em Concílio Vaticano II é a questão judaica. Isso porque o CVII representou uma mudança de postura radical por parte dos membros da hierarquia em relação aos judeus quando comparado ao que o Sagrado Magistério sempre ensinou.
Sobre isso, o documento que notoriamente pode ser considerado como o “marco oficial” dessa virada foi a Nostra Aetate, por meio da qual os padres conciliares, negando a Sagrada Tradição, afirmaram que os judeus não são coletivamente culpados de deicídio. Esse documento foi aprovado em 28 de outubro de 1965 e, nesse mesmo dia, em outro gesto de boa-vontade para com os deicidas, Paulo VI suprimiu o culto ao mártir São Simão de Trento, um menino de apenas 2 anos de idade “trucidado com brutalidade extrema pelos judeus” (Martirológio Romano, Dia 24 de Março, p. 86 – 1914) em 1475. Paulo VI assim procedeu por supostamente considerar, 490 anos após o ocorrido, que “não haviam provas históricas suficientes” para afirmar que a comunidade judaica de Trento fora a responsável por tal barbárie. Sobre isso, você pode ler mais aqui.
Pouco mais de um mês depois, a famigerada Dignitatis Humanæ, da qual falamos acima, foi promulgada, em 7 de dezembro, e, no dia seguinte, Paulo VI deu por encerrado o nefasto concílio.
O encontro com Padre Pio
Em 27 de março de 1967, Dom Lefebvre foi a San Giovanni Rotondo a fim de pedir ao Padre Pio que abençoasse a Congregação do Espírito Santo (Espiritanos), da qual ele era o Superior-Geral. Isso porque, em decorrência do concílio, seria realizado um Capítulo Geral Extraordinário (uma grande reunião da congregação) para que se aplicassem as decisões conciliares, assim como todas as ordens religiosas deveriam fazer.
O encontro durou apenas dois minutos e se deu em um corredor quando o Padre Pio, assistido por dois capuchinhos, dirigia-se ao confessionário. Ali, ao receber o pedido de bênção da parte de Dom Lefebvre, o sacerdote lhe respondeu:
“Eu abençoar um arcebispo?! Não, não. É o senhor quem deveria me abençoar!”
Então Dom Lefebvre abençoou o Padre Pio, que lhe beijou o anel episcopal e seguiu seu caminho até o confessionário.
Maio de 68
Em maio de 1968, um movimento iniciado dois meses antes na Faculdade de Nanterre – na França de Dom Lefebvre –, nas proximidades de Paris, e que tinha por lema “É proibido proibir”, estourou na capital francesa, unindo estudantes e sindicalistas como massa de manobra. Dentre as reivindicações iniciais, os alunos de Nanterre queriam poder entrar nos quartos das alunas à noite e ter total liberdade para se expressarem e fazerem o que bem entendessem, condenando qualquer tipo de autoridade, fosse ela da família, da Igreja ou do Estado.
Esse era o nível dos degenerados envolvidos nesse famoso movimento de extrema-esquerda que tinha por motivação central a degradação sexual irrestrita, bem no momento em que se difundia o uso da execrável pílula anticoncepcional (você realmente acha que a indústria farmacêutica não teve nada a ver com isso?). Assim, movidos pelo mesmo espírito revolucionário que habitou em Lúcifer, Lutero e Robespierre, esses pobres filhos de Satanás foram fundamentais para a revolução sexual que, pouco tempo depois, resultaria na epidemia de AIDS do Ocidente e impulsionaria os satânicos movimentos gay e feminista que até hoje infectam a nossa sociedade.
A renúncia do Superior-Geral
Considerando que o espírito revolucionário tinha entrado nos seminários e encontrado apoio no aggiornamento (a atualização da Igreja frente ao mundo moderno) do CVII, tão desejado por João XXIII – especialmente na província holandesa dos espiritanos, onde já se falava abertamente no fim da obrigatoriedade do celibato sacerdotal –, Dom Lefebvre renunciou ao cargo de Superior-Geral da congregação (para o qual fora eleito até 1974). O bispo que ele era não cabia mais naquele lugar.
Assim, o antigo Delegado Apostólico de Pio XII para toda a África Francófona, agora com 63 anos e considerando que já havia dado tudo de si que podia à Igreja, decidiu se aposentar. Para isso, alugou um apartamento em Roma. E esse poderia ser o fim da nossa história, mas…
Deus tinha outros planos.
Sobre isso, porém, trataremos a partir do próximo artigo desta série.
“O Senhor veio, parou e chamou como das outras vezes: ‘Samuel! Samuel!’ E Samuel lhe respondeu: ‘Fala, Senhor, porque o teu servo escuta.’
O Senhor disse a Samuel: ‘Vou fazer uma coisa em Israel, que, a todo o que a ouvir, fará que fiquem retinindo ambos os ouvidos de terror.’
Samuel crescia, e o Senhor era com ele, e nenhuma das suas palavras caiu no chão.
Todo Israel, desde Dan até Bersabée, conheceu que Samuel era um fiel profeta do Senhor.
E a palavra de Samuel chegou a todo o Israel.” (1Sm 3, 10s.19s.21b)
Leia os três primeiros artigos desta série:
"Transmiti aquilo que recebi": a história de Dom Lefebvre e o Concílio Vaticano II [Parte 3]
“Transmiti aquilo que recebi”: a história de Dom Lefebvre, o Apóstolo da África [Parte 2]
“Transmiti aquilo que recebi”: a história de Dom Lefebvre, do nascimento à sagração [Parte 1]
Veja também:
Vaticano quer falsas religiões participando das assembleias sinodais


