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Torne-se membro ->O Papa Leão XIV concedeu o mandato apostólico para as sagrações episcopais de dois novos bispos na China nos dias 22 e 29 deste mês. Para isso, porém, eles têm de ser leais ao Partido Comunista Chinês (PCCh), conforme novo documento publicado no país com a autorização do governo.
Aprovado pelos dois principais órgãos oficiais da Igreja Católica na China — a Associação Patriótica Católica Chinesa e a Conferência dos Bispos Católicos da China, instituições que integram o sistema estatal de administração das religiões e atuam sob as diretrizes da política religiosa do Partido Comunista Chinês —, o documento teve a sua tradução publicada pela revista alemã China heute, que há anos estuda e critica a relação do governo com os cristãos chineses.
“Que o comunismo cresça e o Cristianismo desapareça”
Em sua seção intitulada “Regras de Conduta para Agentes Eclesiásticos Católicos”, que obriga padres, bispos e religiosos a segui-lo, o texto afirma que esses membros da Igreja:
“Apoiam a liderança do Partido Comunista da China e o sistema socialista, auxiliam o governo na implementação da política de liberdade de crença religiosa, mantêm o compromisso com a orientação da sinização do catolicismo na China, (…) preservam a harmonia entre as religiões, a estabilidade social e a paz mundial.”
O documento dita ainda qual é a hierarquia de subordinação à qual os religiosos devem se submeter quando diante de um impasse, afirmando a necessidade de consolidarem a consciência de que:
“O direto do Estado prevalece sobre o direito da Igreja.”
E diz ainda que:
“As atividades religiosas devem ser realizadas dentro dos limites estabelecidos pela política religiosa e pela legislação estatal.”
Um ponto mais adiante ainda afronta diretamente a soberania do Romano Pontífice sobre a Igreja universal, afirmando que os religiosos:
“Devem manter o princípio da independência, autonomia e autoadministração, salvaguardar a soberania do Estado e a autonomia dos assuntos eclesiásticos, opondo-se à infiltração de forças estrangeiras por meio da religião.”
“O irmão entregará à morte o seu irmão” (Mt 10, 21)
Em outro ponto, o documento ainda determina que os religiosos devem:
“Cooperar com o governo no combate às atividades religiosas ilegais e opor-se conscientemente ao extremismo religioso.”
É sabido que, na China, há a “Igreja oficial” e a “Igreja clandestina”. Ora, enquanto a Igreja dita “oficial” é aquela composta pelos religiosos que se submetem ao controle estatal comunista sobre a religião, a Igreja clandestina, que também poderíamos chamar de Igreja das catacumbas – como no tempo dos antigos romanos –, recusa se submeter ao Partido, buscando se manter fiel à Roma Eterna e, por isso, sendo perseguida pelo governo.
O que, portanto, esse documento estabelece é que a “Igreja oficial” – cujos bispos são, agora, aprovados pelo Papa em função do acordo secreto Vaticano-China – auxilie o PCCh a perseguir os “extremistas religiosos” – assim definidos pela normativa chinesa – que desejam guardar a Fé de sempre e que, em função disso, não se submetem à heresia comunista. Não obstante, os membros religiosos da "Igreja oficial" deverão ajudar na perseguição da “Igreja clandestina” por conta de suas “atividades religiosas ilegais”, que se configuram por reuniões feitas às escondidas para celebrar a Missa e tentar preservar a Sã Doutrina longe dos olhos do Partido.
Tal comprometimento é reforçado com uma ameaça no parágrafo seguinte, que afirma que os membros da “Igreja oficial”:
“Não podem agir politicamente como ‘pessoas de duas faces’: indivíduos que dizem uma coisa em público e outra em privado, que aparentam defender a causa correta, mas internamente resistem às orientações estabelecidas, chegando até mesmo a colaborar secretamente com forças estrangeiras.”
Ou seja: o governo comunista não tolerará que se pregue lealdade ao Partido em público, mas, às escondidas, difunda-se a autêntica Fé Católica, isenta de ideologias.
Igreja Sino(dal) vs. Igreja Católica
O último ponto referente à posição política que deve ser adotada pelos religiosos na China determina:
“Guiados pelos valores centrais do socialismo e profundamente inspirados pela excelente cultura tradicional chinesa, devem interpretar a doutrina e as normas da Igreja de modo compatível com as exigências do desenvolvimento da China contemporânea e com a cultura tradicional chinesa, desempenhando um papel ativo na construção de uma reflexão teológica de características chinesas para a nova era.”
Não se perturbe, todavia, o vosso coração, caro leitor, pois, aos olhos da Santa Sé, tudo isso está se dando “em plena comunhão” com Roma.
Claro, talvez possa gerar estranheza o fato de que, enquanto o Vaticano mantém o acordo secreto firmado com Pequim e concede mandato apostólico a bispos que atuarão sob as normas acima descritas – em plena obediência ao Partido Comunista da China –, o Romano Pontífice siga considerando “cismáticas” as recentes sagrações episcopais promovidas pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X.
Ora, mas não é justamente isso o que significa ser Igreja Sinodal: dar espaço para que todos os não-católicos possam ditar os rumos das igrejas locais, conforme professado pelo Vaticano no último dia 27? Afinal, segundo o Papa Leão XIV:
“Ser Igreja Sinodal significa saber que não se possui a Verdade, mas que juntos a procuramos”.
Nesse sentido, realmente parece ser inconciliável a posição daqueles que afirmam querer manter incorrupto o Depósito da Fé, livre de ideologias e erros modernos, com a Igreja Sinodal. Mas a pergunta que fica é: quem realmente rompeu com a Fé de São Pedro e São Paulo nessa história?
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