Você sabe o que é a religião natural?
Religião natural é toda e qualquer crença adotada pelo homem à parte da revelação divina. É a forma por meio da qual o homem que não conhece a Deus tenta buscá-Lo, servi-Lo e adorá-Lo.
Veja, no princípio, o homem não se espalhou pela Terra. Após a expulsão do Paraíso, os filhos de Adão ficaram concentrados em uma única região.
Adão, vale destacar, viveu até os 900 anos, tendo morrido apenas um século antes do nascimento de Noé. Logo, até aquele momento, ele deve ter passado a muitos de seus descendentes a crença no Deus verdadeiro, de modo que não há relatos bíblicos acerca da existência de um politeísmo ou de cultos idolátricos pré-diluvianos.
O Dilúvio
Cerca de 700 anos após a morte de Adão, todavia, a humanidade, quase na sua totalidade, havia se entregado às más inclinações oriundas do pecado original. Por essa razão, Deus separou Noé, que era um justo, para que, a partir dele, aqueles a quem criou à Sua imagem e semelhança pudessem seguir existindo quando tudo fosse destruído.
O Senhor, então, abriu as comportas do firmamento para que as águas de cima inundassem até o pico das mais altas montanhas, como as marcas de submersão no cume do Everest comprovam aos incrédulos. Assim, à exceção de Noé e de sua família, Deus devastou a humanidade inteira, pois esta se encontrava obstinada no pecado.
A Torre de Babel, a Religião Natural e o Politeísmo
Um século após o dilúvio, todavia, o homem – que, mesmo depois desse recomeço dado pelo Senhor, seguia sem cumprir a Sua ordem dada a Adão e Eva para que se espalhassem sobre toda a Terra – buscou construir uma torre tão alta em Babel que lhe permitisse alcançar o Céu e se rebelar contra o Criador. E foi somente aí que, quando da confusão das línguas imposta por Deus como um castigo à rebeldia humana, o homem se espalhou pela Terra, dando origem aos mais diferentes povos.
Após essa dispersão, não havendo mais unidade linguística e cultural, o homem perdeu o culto do Deus verdadeiro e passou a desenvolver falsas religiões – e todas elas se enquadram no âmbito da religião natural. E é somente aí que a Bíblia passa a relatar a existência do politeísmo.
Veja, poderia faltar qualquer aspecto nas mais variadas sociedades, mas a fé, mesmo que “torta”, jamais esteve ausente em povo algum. O homem sabia da existência de Deus, e o coração do homem, sedento pelo seu Criador, jamais o deixou se esquecer disso.
Não obstante, todo povo sempre partilhou de princípios morais básicos, como honrar os pais e não tirar a vida de outrem sem causa justificada. Sim, é verdade que o homem, cedendo às más inclinações de seu coração, as quais são consequência do pecado original, muitas vezes praticava (e pratica) o mal. Contudo, por meio da observação natural (razão pela qual chamamos “religião natural”), ele é capaz de discernir o bem do mal.
A Religião Natural é uma das provas da existência de Deus
Essa, vale dizer, é uma das provas da existência de Deus. Sim, ao observarmos a natureza, é possível constatar que há um Criador. E essa é a razão pela qual o batismo de desejo (que será explicado em artigo futuro) – ainda que implícito, no caso daqueles afetados pela ignorância invencível – não pode ser alcançado pelos ateus: porque o ateísmo não deriva meramente da ignorância invencível, mas, em verdade, é uma negação do próprio impulso natural do homem em direção ao Criador. Quer dizer, mesmo que uma pessoa jamais ouça o Evangelho, há, nela, uma inclinação natural à busca e à crença em algo eterno, de modo que, ao abraçar o ateísmo, a pessoa está agindo contra a própria razão.
Apesar disso, houve um homem chamado Héber que se recusou a cooperar na construção da Torre de Babel. Por causa disso, Deus não confundiu a sua língua, de modo que ele preservou o idioma original da humanidade – o qual, a partir desse evento, acabou por receber o seu nome, de modo a se distinguir dos demais: hebraico.
A Religião Revelada/Sobrenatural
Da descendência de Héber nasceu, na cidade de Ur dos Caldeus – 200 anos após o incidente de Babel –, um varão, ao qual seus pais chamaram Abrão. Nessa época, vale dizer, Noé ainda estava vivo, embora já na casa dos 900 anos.
Após a morte de Noé, Deus Se revelou a Abrão, mudou seu nome para Abraão e prometeu fazer dele uma grande nação.
A revelação divina, porém, deu-se aos poucos. Ao longo dos séculos, Deus foi educando o povo para o qual escolhera Se revelar, ensinando-lhe o modo mais perfeito pelo qual deveria ser adorado – o que incluía não apenas rituais religiosos, mas a retidão moral. Porém, no decorrer desse período, o Senhor tolerou muitas coisas – como, por exemplo, a poligamia –, as quais seriam abolidas apenas quando a revelação estivesse completa.
E quais foram as etapas da relevação?
As etapas da Relevação Divina
Em primeiro lugar, Deus separou Abraão e lhe deu um filho chamado Isaac, prometendo que, de seus filhos, um dia, nasceria o Salvador do mundo que fora prometido a Adão e Eva quando eles foram expulsos do Jardim do Éden.
Pois bem, do desmame de Isaac à fuga do Egito se passaram 400 anos. Findado esse período, Deus, após retirar os hebreus da terra da escravidão, entregou a Moisés as tábuas da Lei contendo os Dez Mandamentos. Essa, é necessário falar, é a lei moral que já era conhecida pelo coração do homem desde sempre, embora a sua não-resistência às más inclinações proporcionadas pelo pecado original o levasse a não cumpri-la. Agora, porém, Deus tornava visível, palpável, escrito em pedra, aquilo que já estava desde toda a eternidade inscrito nos corações de toda a humanidade. E mais do que isso, o Senhor também fez de Moisés o grande legislador do povo hebreu, responsável por orientar a casta sacerdotal, o exército e os costumes daquela gente.
Após a morte de Moisés, o Senhor enviou diversos profetas aos hebreus, sendo o último deles São João Batista, que fora profetizado pelo Rei Davi e pelo profeta Isaías, séculos antes, como aquele que haveria de preparar os corações para acolherem o Messias, o Deus Vivo que caminharia entre o povo.
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por Ele, e sem Ele nada foi feito. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e nós vimos a Sua glória, a glória do Filho Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (Jo 1, 1.3.14)
Há 2025 anos, em 25 de março, o Anjo do Senhor foi enviado por Deus a uma Virgem de Nazaré. Seu nome era Maria. Após reverenciá-la, o Anjo perguntou se ela aceitava ser a Mãe de Deus, e o “Sim” daquela jovenzinha, que devia ter não mais do que 12 ou 13 anos, fez entrar na História e assumir a pobre natureza humana o Criador do Mundo, Jesus Cristo, que desceu dos Céus para redimir a humanidade. Era chegada a plenitude dos tempos.
“O Verbo era a Luz Verdadeira, que ilumina todo o homem que vem a este mundo. Estava no mundo, e o mundo foi feito por Ele, e o mundo não O conheceu.
Mas a todos os que O receberam, deu poder de se tornarem filhos de Deus, àqueles que crêem no Seu nome: os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” (Jo 1, 9-13)
Os judeus, que haviam sido escolhidos por Deus para receberem Dele a revelação, perseguiram-No e O crucificaram. Eles rejeitaram a Deus, e Deus os rejeitou. Mas a todos aqueles que acolheram em seus corações o Evangelho, judeus ou gentios, Cristo os tornou filhos de Deus, participantes da Nova e Eterna Aliança, selada com o sangue do Verbo Divino derramado sobre o lenho da Cruz.
No ano 70, Roma destruiu Jerusalém e o Templo, e os judeus foram dispersados por todo o mundo. Os sacrifícios cessaram para sempre. A herança foi arrancada das mãos dos vinhateiros homicidas e dada a um novo povo, o qual não se resume a uma raça, mas é constituído por todos aqueles que, independentemente de sua origem, creem em Cristo e recebem o batismo, pois os verdadeiros herdeiros de Abraão não são os seus descendentes – isto é, aqueles que têm o seu sangue –, mas, sim, a sua descendência, que é Cristo e, Nele, todos os católicos, como ensina São Paulo:
“As promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. A Escritura não diz: Aos seus descendentes — como se se tratasse de muitos — mas diz como de um só: À tua descendência (Gn 12, 7), a qual é Cristo.” (Gl 3, 16)
Por essa razão:
“Não há judeu, nem grego; não há servo, nem livre; não há homem, nem mulher: todos vós sois um só em Jesus Cristo. Se sois de Cristo, sois a descendência de Abraão, os herdeiros segundo a promessa.” (Gl 3, 28s)
Por fim, com a morte de São João Evangelista, o último Apóstolo, por volta do ano 100, encerrou-se toda a revelação. Nada mais há a ser acrescentado. Tudo o que o mundo tinha que saber sobre a Religião revelada, sobrenatural, soube.
Desde então, nada de novo, nem mesmo um iota, jamais foi e jamais será acrescido ao depósito da Fé. O que hoje se crê é o mesmo que se cria no século II, e assim será até a consumação dos séculos. E essa Religião perfeita, revelada por Deus, é a Santa Igreja Católica.
Desse modo, quem quiser ser salvo deve se esforçar para fazer parte dela, pois, assim como, fora da Arca de Noé, todos pereceram, também fora da Igreja Católica não haverá uma única alma que possa se salvar.
E sim, mesmo os dogmas proferidos pela Igreja ao longo da História, nenhum deles se trata de inovação, de acréscimo, mas estão, todos eles, já presentes na própria revelação.
Deus vos abençoe e vos guarde na imutável e perfeita Fé de São Pedro e São Paulo.
Viva Cristo Rei! Viva Nossa Senhora Corredentora do Gênero Humano e Medianeira de Todas as Graças! E viva a Santa Igreja Católica!
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