15 de August de 2026 Artigo
6 min

Saiba como se deu a Assunção de Nossa Senhora ao Céu

Você sabia que Nossa Senhora foi assunta aos Céus em corpo e alma? Descubra agora como e por que isso ocorreu na explicação de Santos Doutores como Agostinho e Jerônimo.

Yago Portella

Yago Portella

Redação CDB


Hoje é o dia em que a Igreja celebra a Assunção de Nossa Senhora aos Céus em corpo e alma. Mas você sabe como foram seus últimos momentos na Terra e sua chegada ao Céu?

Apesar de proclamada como verdade de Fé incontestável apenas em 1950 pelo Papa Pio XII (a última vez em que um papa promulgou um dogma), a Assunção de Nossa Senhora sempre foi crida na Igreja, pois aconteceu no primeiro século, quando todos os Apóstolos ainda viviam. Mas como se deu isso?

Aquilo que ora narrarei é o que foi já há muito narrado por santos dentre os quais constam aqueles que, ao lado de Santo Tomás de Aquino, são os maiores doutores da Igreja de todos os tempos: São Jerônimo (347-420), tradutor original da Bíblia para o latim; e Santo Agostinho de Hipona (354-430), o Doutor da Graça e autor das Confissões e da Cidade de Deus.

À Santíssima Virgem Maria foram prometidas e, na hora em que seu virginal corpo e seu espírito se separariam, concedidas todas as consolações que se possa imaginar.

Embora não precisasse provar a morte, merecida apenas pelos pecadores, a Bem-Aventurada Mãe de Deus e da Igreja imitou em tudo o seu Divino Filho. Assim, chegado o momento de seu adormecer, o Senhor fez com que se reunissem em torno dela todos os Seus Apóstolos. Segundo uma antiga narração, eles teriam sido transportados por nuvens desde onde estavam até a porta da casa de Nossa Senhora, a começar por São João, o único dentre os Doze que esteve ao seu lado no momento mais difícil de sua vida: o Calvário – e também aquele a quem o próprio Cristo lhe confiou aos cuidados, fazendo-a, por meio dele, Mãe de Sua Santa Igreja Católica.

Uma vez reunidos os Apóstolos em torno de sua Mãe, a Virgem Santíssima adormeceu sem dor ou qualquer mal que possa acometer alguém na hora da morte. Sua sepultura foi preparada no Vale de Josafá.

Os funerais daquela que foi o primeiro Trono no qual se sentou o Menino Deus foram realizados com devoção, e o seu Filho Unigênito, junto a toda a corte celeste, desceu do Céu para vir ao seu encontro. Anjos e santos, todos vieram buscar aquela cujo “Sim” redimiu a humanidade inteira.

Mas o inimigo, que teve a cabeça esmagada por seus pés, queria se vingar dela e enviou a sua própria descendência para isso.

Os judeus, sabendo da dormição da Virgem, perseguiram-na, querendo profanar o seu sacratíssimo corpo, a fim de cumprirem em tudo a vontade de seu pai, que é satanás.

Deus, porém, que veio não para revogar a Lei, mas para cumpri-la em plenitude, não desonrou a Sua Mãe e impediu que os judeus lhe fizessem qualquer mal, realizando inúmeros milagres.

Passados quarenta dias, uma multidão de anjos envolveu o seu sepulcro luminoso, e então ela foi tirada dali – viva, ressuscitada! – e elevada no ar. A meio do caminho, veio ao seu encontro o Autor da Vida, a quem ela própria dera a vida, portando o estandarte da Cruz em Sua destra, acompanhado por milhares de anjos.

Abraçada por seu Divino Filho, Nossa Senhora foi conduzida com loas e cânticos até o trono de Deus.

“A milícia da Jerusalém Celeste estremeceu de inefável alegria, de indizível prazer, de imenso júbilo. Essa festa, que acontece apenas uma vez por ano para nós, é ininterrupta nos Céus, com o próprio Salvador estando com ela durante toda a festa e colocando-a com alegria junto Dele no trono. Se fosse diferente, não teria cumprido Sua própria Lei que diz: ‘Honre seu pai e sua mãe.’” (São Jerônimo, conforme descrito na Legenda Áurea, p. 665)

Levada ao Céu com seu corpo glorioso, a Virgem Santíssima foi posta por Nosso Senhor Jesus Cristo junto Dele no Trono do Altíssimo, sendo coroada como a Rainha dos Céus e da Terra.

Desde então, e por toda a eternidade, ela recebe, conforme dito por São Geraldo (980-1046), bispo e mártir, “da própria Majestade louvor e honra contínuos, rodeada pelos coros angélicos, cercada pelas tropas arcangélicas, acompanhada pelo júbilo dos Tronos, no meio do entusiasmo das Dominações, cercada pela deferência dos Principados, aclamada pelas Potências, honrada pelas Virtudes, cantada pelos hinos dos Querubins e pelos cânticos indescritíveis dos Serafins. A própria inefável e eterna Trindade alegra-se com ela, aplaude, cobre-a com Sua graça que excede a todos. O ilustríssimo grupo dos apóstolos louva e exalta a Virgem de forma inefável, toda a multidão dos mártires dirige súplicas a tão grande senhora, o inumerável exército dos confessores dirige-lhe magníficos cantos, o coro das puríssimas virgens celebra sua glória, o próprio Inferno, com os gritos dos insolentes demônios, de certa forma a aclama.”

Por fim, fiquemos com as palavras de Santo Agostinho acerca de algumas das razões pelas quais Deus preservou o corpo de Sua Bem-Aventurada Mãe de conhecer a corrupção a que estão condenados os corpos dos pecadores:

1. “Já que a natureza humana está condenada à podridão e aos vermes, e que Jesus foi poupado desse ultraje, a natureza de Maria também está imune a isso, pois foi nela que Jesus assumiu a Sua natureza.”

2. “O trono de Deus, o leito nupcial do Senhor, o tabernáculo de Cristo, deve estar onde Ele próprio está, pois é mais digno conservar esse tesouro no Céu do que na Terra.”

3. “Alegre-se, Maria, de uma alegria indizível em seu corpo e em sua alma, em seu próprio Filho Cristo, com seu próprio Filho e por seu próprio Filho, pois a pena da corrupção não deve ser conhecida por aquela que não teve sua integridade corrompida quando gerou seu Filho. Será sempre incorrupta aquela que foi cumulada de tantas graças, que viveu íntegra, que gerou vida em total e perfeita integridade, que deve ficar junto Daquele a quem carregou em seu útero, a quem gerou, aqueceu, nutriu – Maria, mãe de Deus, nutriz e escrava de Deus. Por tudo isso não ouso pensar de outra maneira; seria presunção dizer diferentemente.”

Aquela que foi preservada por Deus da mácula do pecado original; aquela que jamais pecou; aquela que permaneceu virgem antes, durante e após o parto; aquela por cujo “Sim” Deus Se encarnou e o mundo foi salvo; aquela que carregou em seu ventre o próprio Deus feito homem e que, tendo vivido de forma perfeita – conforme nos pede o Senhor ao dizer “Sede perfeitos como vosso Pai Celestial é perfeito” (Mt 5, 48) –, cumpriu plenamente a vontade de Deus: ela foi preservada de conhecer a corrupção, como deveria ter havido com nossos primeiros pais, Adão e Eva, e foi assunta aos Céus com seu corpo glorioso, incorrupto, revestido de sol, tendo a lua debaixo de seus pés e, na cabeça, uma coroa de doze estrelas, indicando a sua majestade ante toda a criação (cf. Ap 12, 1).

Deus te salve, cheia de graça (Lc 1, 28), Mãe de Deus e da Igreja, Rainha do Céu e da Terra, Senhora dos Anjos, Generalíssima do Exército do Senhor, Corredentora do Gênero Humano, Auxiliadora dos Cristãos, Tabernáculo Vivo, Arca da Nova e Eterna Aliança, Medianeira de Todas as Graças, Porta do Céu e minha Mãe.

“Doravante me chamarão Bem-Aventurada todas as gerações, porque o Senhor fez, em mim, maravilhas. Santo é o Seu Nome.” (Lc 1, 48s)

Viva Cristo Rei! Viva Nossa Senhora! E viva a Santa Igreja Católica!

 

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