16 de September de 2026 Artigo
5 min

Conheça a história de Santa Eufêmia, virgem e mártir

Conheça a história de Santa Eufêmia, virgem e mártir, que foi torturada e morta por amor a Cristo durante a terrível perseguição de Diocleciano no século IV.

Yago Portella

Yago Portella

Redação CDB


Hoje, 16 de setembro, a Igreja celebra, conforme o calendário tridentino, Santa Eufêmia, virgem e mártir, que sofreu por amor a Cristo durante a terrível perseguição de Diocleciano no século IV.

Santa Eufêmia nasceu por volta do ano 288 ou 289 na Calcedônia, atual Turquia. De linhagem nobre e filha de católicos – sendo o seu pai, Filofrono, um senador –, ela cresceu mergulhada na Fé verdadeira.

Quando Santa Eufêmia tinha seus 14 ou 15 anos, o Imperador Diocleciano, inspirado pelo oráculo do demônio Apolo, iniciou a última e mais terrível perseguição geral do Império Romano contra a Igreja Católica.

A prisão de Santa Eufêmia

Diante das atrocidades que via serem cometidas contra os demais católicos, a jovem pôs-se diante do juiz local, chamado Prisco, e confessou sua Fé, a fim de confortar os demais que ali aguardavam para ser torturados por crerem em Cristo.

Ignorando a filha do senador, Prisco seguiu seu trabalho, ordenando que os condenados fossem torturados até a morte diante de seus irmãos na Fé. Desse modo, pretendia convencer-lhes a ofertar sacrifícios aos demônios romanos, como Júpiter (Zeus), Marte (Ares), etc.

Após o juiz mandar que fossem decapitados alguns católicos diante de Santa Eufêmia, a jovem gritou com ele, dizendo que o magistrado a ofendia com aquilo. Alegre, e pensado que ela estivesse convencida a sacrificar aos falsos deuses dos pagãos, questionou de que modo a ofendia, ao que foi surpreendido por ouvir da moça:

“Eu sou de linhagem nobre, então por que você faz com que plebeus e estrangeiros cheguem diante da face de Cristo e alcancem a glória prometida antes de mim?!”

Furioso por ouvir tais palavras, Prisco mandou prendê-la.

O juiz tenta tomar a virgindade de Santa Eufêmia

No dia seguinte, os carcereiros conduziram Santa Eufêmia à presença do juiz, mas sem amarrar a nobre como faziam aos demais. Reclamando pelo fato de ser a única dispensada dos grilhões, a jovem foi espancada e reconduzida ao cárcere.

Aproveitando-se do momento, Prisco acompanhou os guardas que levavam a moça de volta à prisão e tentou violentá-la, mas a santa, mesmo ferida, lutou bravamente contra o maldito pagão, resistindo à tentativa de estupro, e Deus chegou a paralisar uma das mãos do juiz imundo, que pensou ser, aquilo, um feitiço.

Após a grotesca cena, Prisco enviou seu prepósito (um emissário) para convencer a santa a se deitar com ele, mas o homem não pôde sequer entrar na prisão, pois nem suas chaves puderam abri-la, nem seus golpes de machado puderam derrubar suas portas. Por fim, o prepósito foi possuído pelo demônio e fugiu dali gritando enquanto dilacerava sua própria carne.

Tentativas de martírio de Santa Eufêmia

Transcorrido esse acontecimento, o juiz tentou matar Santa Eufêmia das formas mais terríveis que se possa imaginar.

Primeiro, quis amarrá-la em uma roda e queimá-la viva. Todavia, o aparelho acabou por esmagar o artesão que o construíra, e um anjo desamarrou a santa e a pôs em um lugar alto.

Para tirá-la dali, foram necessárias escadas. O primeiro homem a avançar, porém, ficou paralisado e precisou ser descido dali pelos demais. O segundo, de nome Sóstenes, foi imediatamente convertido por ela e depôs sua espada diante do juiz, afirmando preferir o suicídio a tocar em uma mulher protegida pelos anjos.

Após ela ser finalmente descida, o juiz mandou trancá-la com todos os jovens libertinos que se pudesse encontrar, a fim de que a estuprassem até a morte. Ocorre, porém, que já o primeiro homem a entrar no mesmo local onde a santa se encontrava teve uma visão de uma multidão de virgens envoltas pela glória de Deus rezando junto a ela. Diante disso, converteu-se imediatamente à Fé católica.

Prisco, então, mandou dependurá-la pelos cabelos, mas ela se manteve impassível, ao que o juiz ordenou que a jovem fosse posta novamente no cárcere e que não lhe fosse dado alimento algum pelos próximos sete dias, ao fim dos quais ela seria esmagada viva.

Na data marcada, porém, quando Santa Eufêmia foi posta entre as pedras que a deveriam esmagar, elas, diante da prece da jovem, tornaram-se pó.

O juiz, então, envergonhado por ser vencido pela santa, mandou que a jogassem em um fosso onde se encontravam três feras selvagens, a fim de que a devorassem. Os animais, porém, em lugar de matá-la, correram ao seu encontro e a acariciaram, unindo suas caudas para que lhes servissem de assento.

O martírio de Santa Eufêmia

Finalmente, após mais esta intervenção divina, o carrasco sacou sua espada e trespassou o flanco de Santa Eufêmia, e assim ela partiu para a vida eterna, virgem e mártir, fiel até o último suspiro a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Prisco premiou o carrasco com um traje de seda e um colar de ouro, mas, saindo dali, o homem foi atacado e devorado por um leão, de modo que só encontraram dele alguns ossos junto a farrapos do traje e ao colar que recebera.

Já o juiz, possivelmente possuído por um demônio, foi também encontrado morto com pedaços de seu corpo faltando, pois cometeu autofagia.

O corpo incorrupto de Santa Eufêmia

Santa Eufêmia foi sepultada na Calcedônia e a ela se atribuem as conversões de todos pagãos e judeus locais.

No ano 800 – portanto cinco séculos após o martírio da santa –, durante a crise da heresia iconoclasta que tomou o Império Bizantino, o sarcófago de mármore que abrigava as relíquias de Santa Eufêmia em Constantinopla foi lançado ao mar. Ele fora transladado de Calcedônia para a capital imperial justamente no intuito de ser preservado dos iconoclastas.

Tendo boiado pelas águas do Mar Adriático, o sarcófago foi encontrado nas praias de Rovinj, na atual Croácia, por habitantes locais. Eles, então, puseram animais de tração a puxá-lo, mas sem sucesso.

Foi aí que, em sonho, Santa Eufêmia apareceu a um garoto e lhe disse para puxar o sarcófago. Amarrando dois pequenos bezerros a ele, notoriamente sem a força necessária para tal feito, o menino conseguiu fazer o que lhe pedira a santa, e arrastou o sarcófago colina acima, até o local onde hoje se encontra a Basílica de Santa Eufêmia. Ao abrirem-no, os habitantes locais viram que o corpo da jovem e virgem mártir que ali se encontrava estava incorrupto.

 

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