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Torne-se membro ->Uma professora da rede municipal de ensino de São José dos Campos (SP) denunciou, na última terça-feira (30), um episódio que poderia ter terminado em tragédia. Segundo o seu relato, um aluno colocou um pedaço de vidro em seu copo d'água sem que ela percebesse. O caso reacendeu o debate sobre a crescente violência nas escolas brasileiras. Diante disso, muitos podem se questionar: será que o ambiente escolar continua sendo o mais adequado para a formação de seus filhos?
A educadora, Michele Ramos, leciona na Escola Municipal de Ensino Fundamental Profª Ildete Mendonça Barbosa. Seu relato ganhou grande repercussão nas redes sociais, alcançando dezenas de milhares de interações no Instagram.
"Em que momento isso se tornou normal?"
Visivelmente abalada, Michele contou que o estudante colocou o vidro em seu copo enquanto os colegas assistiam à cena.
"O menino achou que 'tudo bem' pegar um pedaço de vidro, colocar no meu copo, exibir-se para a sala, e a sala ver o que estava acontecendo e ficar de murmurinho em vez de me falar."
Ela afirmou que apenas depois alguns alunos lhe disseram:
"Professora, se eu fosse você, eu não beberia essa água."
Em lágrimas, a professora questionou:
"Em que momento isso passou a ser normal? Que tipo de educação essas crianças estão recebendo em casa? Eu não sei a quem recorrer."
Um problema que vai muito além de um caso isolado
Segundo Michele, episódios de desrespeito contra professores são frequentes na escola onde trabalha e afetam tanto docentes quanto estudantes.
Ela afirmou que muitos professores adoecem psicologicamente diante da rotina de violência e pressão, relatando inclusive o caso recente de uma colega que morreu em sala de aula.
Ao final do vídeo, revelou que faz tratamento e utiliza medicamentos em razão das consequências emocionais da profissão.
A violência escolar cresce no Brasil
O caso ocorre em um cenário preocupante. Em 2023, 13.117 pessoas receberam atendimento em serviços de saúde por agressões ocorridas dentro do ambiente escolar, segundo levantamento divulgado pela Revista Pesquisa Fapesp. Isso representa aproximadamente 50 casos por dia útil.
Sobre isso, comenta Jéssica Figueiredo, uma mãe que educa seus filhos em casa e foi denunciada por isso. Ela falou recentemente sobre o seu caso em uma audiência pública na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, na qual o Centro Dom Bosco também esteve presente. Você pode conferir o relato no vídeo abaixo:
Os desafios, porém, não se restringem à segurança. O Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) de 2024 mostra que apenas 10% dos brasileiros entre 15 e 64 anos atingem o nível mais elevado de compreensão de textos, resolução de problemas e proficiência em leitura, apesar da obrigatoriedade da matrícula escolar.
Por que algumas famílias escolhem o homeschooling?
Diante desse cenário, cresce o número de famílias que optam pela educação domiciliar, conhecida popularmente como homeschooling. Para seus defensores, a modalidade permite aos pais exercerem de forma mais direta a responsabilidade pela educação intelectual, moral e religiosa dos filhos, além de proporcionar um ambiente considerado mais seguro e adequado ao aprendizado.
A doutrina social da Igreja Católica também reconhece os pais como os primeiros responsáveis pela educação dos filhos. Assim, cabe a eles decidir como irão educá-los, não ao Estado.
Homeschooling ainda enfrenta insegurança jurídica
Embora o Supremo Tribunal Federal tenha decidido, em 2018, que a educação domiciliar não é inconstitucional, a Corte também entendeu que sua implementação depende de regulamentação específica pelo Congresso Nacional. Na ausência dessa legislação, diversas famílias enfrentam processos judiciais.
Recentemente, ganharam repercussão nacional os casos das famílias Camargos e Denardi. A primeira foi obrigada judicialmente a matricular os filhos na escola sob pena de multa diária. A segunda foi condenada a 50 dias de prisão. Ambas as sentenças se deram em razão dos pais estarem educando seus filhos em casa.
Da teoria à prática
Embora ainda pouco difundido no país, o homeschooling já formou personalidades de destaque em diferentes épocas. Entre elas está Thomas Edison, inventor norte-americano educado em casa por sua mãe.
Também se encontra nesse grupo Erik Demaine, professor do MIT que ingressou na universidade aos 12 anos. E, no Brasil, o jovem Igor Vieira, atualmente estudante de História e Letras e professor de latim, inglês e xadrez, também formado em educação domiciliar.
Fundamentos da Verdadeira Educação
Em meio a esse debate, o Centro Dom Bosco lançou a campanha editorial Fundamentos da Verdadeira Educação. Ela conta com cinco obras clássicas que restauram os fundamentos permanentes da pedagogia cristã, para formar a inteligência, o caráter e a alma das crianças deste país.
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