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Torne-se membro ->O Palácio Estrela Negra da Quimbanda, no Ceará, inaugurou, no último dia 25, uma estátua de 11 metros de altura em honra ao diabo para celebrar seus 29 anos de existência.
Na página de Instagram do proprietário do terreno, que se identifica como “bruxa Mãe Rainha das Trevas”, há vídeos onde ele afirma estar possuído pelo demônio. Em outros, parece estar banhado em – e mesmo bebendo – sangue. E há até um no qual ele come a carne crua diretamente da cabeça decepada de um boi.
Ele também se vangloria por ser “a feiticeira dos políticos” e “a bruxa do bem e do mal”. Sua conta no Instagram possui 790 mil seguidores, e suas publicações – bem como seus seguidores nos comentários – sempre louvam belzebu. Há, ainda, exaltações ao “demônio da sedução”, iemanjá e “seu chico” nas postagens da página.
Apesar de ser uma propriedade privada, o sítio onde os rituais satânicos são realizados fica em uma área de proteção ambiental e precisou de licenças tanto do governo estadual quanto municipal para erigir a estátua do demônio.
Em nota, a prefeitura justificou a licença para a construção da estátua em honra de satanás com base na “liberdade religiosa”.
“Ressalta-se que o licenciamento ambiental e urbanístico analisa a conformidade do projeto com as normas urbanísticas e ambientais. A Prefeitura de São Gonçalo do Amarante reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência dos atos administrativos e o respeito à liberdade de crença e de culto, direito fundamental assegurado pelo artigo 5º, inciso VI, da Constituição Federal” – disse a prefeitura, em nota.
O que diz a Igreja Sinodal sobre a liberdade religiosa?
A liberdade religiosa é um princípio condenado ao longo de toda a história da Igreja Católica, porém amplamente defendido pelo Concílio Vaticano II e os papas e bispos que a ele aderem.
Portanto, para os adeptos do concílio e da Igreja Sinodal, este deveria ser um momento de celebração. Afinal, segundo afirmam, contanto que não se fira a ordem pública, manifestações públicas de falsas crenças devem ser garantidas pelo Estado.
É claro que, uma vez que se defenda que a liberdade religiosa, em privado e em público, não pode ser restringida de modo algum, pois é um direito inerente à dignidade humana – e atentar contra isso seria uma violação de sua consciência –, conforme defende a letra da Dignitatis Humanæ (documento do Concílio Vaticano II sobre a liberdade religiosa que usa 65 vezes a palavra “liberdade” em seus meros 15 artigos), logo se conclui que é o próprio Deus quem quer isso.
Sim, pois, se pegarmos o homicídio como exemplo comparativo, o ser humano tem a capacidade de fazê-lo, mas não o direito. Contudo, o que o documento conciliar defende é que a liberdade religiosa irrestrita de todos os homens aderirem à qualquer religião que bem entendam, em particular e em público, trata-se de um direito inerente ao ser humano – não de mera capacidade –, e atentar contra isso seria uma ofensa à sua própria dignidade.
Mas, se esse direito procede da própria natureza humana, como afirma a Dignitatis Humanæ, então decorre da ordem estabelecida por Deus – ou seja, foi Ele quem o deu ao homem. Nessa lógica, segue-se que Deus quer que o homem tenha o direito de praticar a idolatria, prestando culto até mesmo ao demônio, caso a isso o leve a sua própria consciência.
“Por sua vez, a própria natureza social do homem exige que este exprima externamente os actos religiosos interiores, entre em comunicação com os demais em assuntos religiosos e professe de modo comunitário a própria religião.
É, portanto, uma injustiça contra a pessoa humana e contra a própria ordem estabelecida por Deus, negar ao homem o livre exercício da religião na sociedade, uma vez salvaguardada a justa ordem pública.
Além disso, os actos religiosos, pelos quais os homens, privada e publicamente, se orientam para Deus segundo própria convicção, transcendem por sua natureza a ordem terrena e temporal. Por este motivo, a autoridade civil, que tem como fim próprio olhar pelo bem comum temporal, deve, sim, reconhecer e favorecer a vida religiosa dos cidadãos, mas excede os seus limites quando presume dirigir ou impedir os actos religiosos.” (Dignitatis Humanæ §3)
Para o Concílio Vaticano II, portanto, a manifestação pública de falsas religiões – inclusa a idolatria direta a satanás – é um bem desejado por Deus desde toda a eternidade. Mas por qual deus? Afinal, o concílio também afirma, no documento Nostra Aetate, que cristãos e muçulmanos adoram o mesmo deus (foram os muçulmanos que renegaram alá ou foram os sinodais que renegaram Jesus Cristo?)
O que diz a Igreja Católica sobre a liberdade religiosa?
Em seu documento Syllabus – Contendo os Principais Erros da Nossa Época, o Papa Pio IX elenca uma série de erros (como o nome sugere), dentre os quais consta a crença de que “É livre a qualquer um abraçar e professar aquela religião que ele, guiado pela luz da razão, julgar verdadeira” (§ 3, sobre o indiferentismo e o latitudinarismo).
Para o Papa Leão XIII, conforme dito em sua encíclica Immortale Dei:
“A liberdade ilimitada de pensar e de emitir em público os próprios pensamentos de modo algum deve ser colocada entre os direitos dos cidadãos, nem entre as coisas dignas de favor e de proteção” (§43).
Já o Papa Gregório XVI, na encíclica Mirari Vos, condena a liberdade de consciência por considerá-la como sendo liberdade de erro, assassina da alma, e à qual chama de “a maior e mais poderosa peste da República” (§10), porque, diz-nos o Santo Padre, foi responsável pela queda das maiores civilizações da história. E prossegue afirmando ainda, nos parágrafos 11 e 12, tratar-se de grande mau a liberdade de imprensa quando utilizada para divulgar erros – ou seja, doutrinas que contrariem a Verdade Revelada. Nesse sentido, defende a destruição de toda e qualquer obra publicada que ensine algo contrário à Fé Católica.
Diante do acima exposto, a que conclusão se deve chegar? Pode, o Estado, em nome do falso direito à liberdade religiosa – conforme invocado pela prefeitura e defendido pelo Concílio Vaticano II, em contrariedade ao Magistério de Sempre da Igreja Católica –, causar escândalo público, favorecendo um culto ao próprio demônio?
Viva Cristo Rei! Viva Nossa Senhora Corredentora e Medianeira de Todas as Graças! E viva a Santa Igreja Católica!
“'Ouve-me, Senhor, ouve-me, para que este povo aprenda que tu és o Senhor Deus, e que converteste novamente o seu coração.'
Então, subitamente o fogo do Senhor baixou do céu e devorou o holocausto, a lenha e as pedras, consumindo o mesmo pó e a água que estava no regueiro. Todo o povo, vendo isto, prostrou-se com o rosto em terra e disse: 'O Senhor é o Deus, o Senhor é o Deus.'
Elias disse-lhes: ‘Apanhai os profetas de Baal, e não escape deles nem um só.’ Tendo-os, o povo, agarrado, Elias levou-os à torrente de Cison e ali os matou.” (1Reis 18, 36-40)
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