3 de July de 2026 Notícia
4 min

FSSPX responde à excomunhão decretada pelo Papa: “Para nós, nada mudou”

Após a excomunhão decretada pelo Vaticano, FSSPX publica carta aberta ao Papa Leão XIV defendendo sagrações episcopais e reafirmando sua fidelidade à Igreja.

Yago Portella

Yago Portella

Redação CDB


A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) respondeu ao Papa Leão XIV sobre o decreto de excomunhão por seu suposto “cisma”, publicado pelo Dicastério para a Doutrina da Fé contra ela na manhã de ontem (02). A reação de Roma se deu em função das sagrações episcopais realizadas pela Fraternidade um dia antes em Écône, na Suíça.

“A FSSPX oferece de bom grado o sofrimento causado por estas novas sanções para o bem da Igreja universal e de Vossa Santidade”, diz um dos trechos da resposta da Fraternidade. O texto é uma carta aberta publicada no site oficial da FSSPX e no seu perfil no X. Ela foi divulgada no começo da tarde desta sexta-feira (03). O documento é assinado pelo pe. Davide Pagliarani, Superior Geral da Fraternidade.

“Esta excomunhão é inválida”

Na carta, o pe. Davide declara que as sanções de Roma são “objetivamente injustas e inválidas” e que “atingem-nos no que mais nos é caro: a nossa ligação à nossa Mãe, a Igreja Romana”. Apesar disso, afirma que a FSSPX “não as recebe com amargura ou revolta”.

Para o padre, “mesmo nesta provação, todas as coisas devem cooperar para o bem das almas e da própria Igreja”. Por esta razão, “essas condenações nos impelem a amar ainda mais a Santa Igreja e a atender às suas necessidades com todas as nossas forças, mais do que nunca”.

“A decisão de Roma escancara a crise na Igreja”

Pe. Davide diz ainda que a “decisão tomada pela Santa Sé a respeito da FSSPX, assinada por Sua Eminência o Cardeal Fernández, (…) traz à luz, mais uma vez, o contexto profundamente trágico em que se encontra a Igreja universal”. Segundo ele, “a Igreja está mergulhada em uma confusão doutrinal e moral”.

Em face do exposto, o Superior Geral explica que “o que a Fraternidade São Pio X fez, e continuará a fazer, nada mais é do que uma iniciativa extraordinária para a salvação das almas” diante da crise descrita. Ele ainda pontua que tal ato é um “dever moral que temos para com as almas” e que, a isto, obriga-lhes a própria consciência, “como já explicamos, tanto em particular quanto em público, a Vossa Santidade”. E reforça que “de modo algum pretendemos substituir a Igreja, e não temos outra ambição senão a de permanecermos fiéis a ela”.

“Pedimos peixe e recebemos uma serpente”

A carta traz também a passagem onde Jesus diz: “Quem de vós, se um filho lhe pedir um peixe, dará uma serpente? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas a vossos filhos, quanto mais o vosso Pai, que está nos Céus, dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem.”

Sobre isso, o pe. Davide lamenta que, quando a FSSPX, como uma filha, pediu peixe ao Santo Padre, ele lhe deu uma serpente. E explica a metáfora dizendo que, diante dos pedidos da Fraternidade para ser instruída e confirmada na Fé de todos tempos, a fim de dar a conhecer Nosso Senhor às almas que lhe fossem confiadas, fazendo delas “verdadeiros filhos da Igreja Romana”, o Papa reagiu declarando-a cismática pela segunda vez.

“Um dia haverá um Papa que deseje novamente o Reinado de Cristo”

Ao final da carta, o Superior Geral demonstrou esperança de que, um dia, o Papa Leão XIV, ou um de seus sucessores, desejará que Cristo reine sobre a Terra. E afirmou que, nesse dia, encontrará na FSSPX “um pequeno exército de filhos leais, prontos a fazer tudo para apoiá-lo na restauração de todas as coisas em Nosso Senhor e para reivindicar perante toda a humanidade os direitos imprescritíveis de Cristo Rei sobre todas as almas e sobre todas as nações”.

Ele também disse que, quando isso ocorrer, “o Santo Padre descobrirá, com grande alegria e profunda consolação, almas autenticamente católicas cujo vínculo com a Igreja nunca se fundou nas areias movediças de um diálogo ambíguo, mas na rocha da Fé de Pedro”. E pediu “à Santíssima Virgem Maria que apresse o alvorecer desse dia”, afirmando, ainda rezar “para que Vossa Santidade possa experimentar essa alegria e consolação o mais breve possível”.

Por fim, o pe. Davide pede ao Papa que, “se for possível, apesar da Sua recente decisão, abençoe-nos como Seus filhos. Para nós, nada mudou e nada jamais mudará.” E declara que, “confiando na Divina Providência, da qual nada está oculto e que perscruta as profundezas do coração de cada homem, permaneço, Santíssimo Padre, vosso filho devotíssimo no Senhor”.

 

 

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