1 de October de 2026 Artigo
3 min

Quem escolheu os livros da Bíblia?

Você sabia que, para cada Apóstolo, há um evangelho cuja autoria lhe foi atribuída? Por que esses livros não estão na Bíblia? Quem decidiu isso? E como?

Yago Portella

Yago Portella

Redação CDB


Sabemos que há vários evangelhos apócrifos. Inclusive, para cada Apóstolo há um evangelho cuja autoria lhe foi atribuída. Por que, então, não estão todos na Bíblia? Quem decidiu o que deveria estar dentro ou fora do cânon bíblico?

Quem discerniu quais livros eram divinamente inspirados – e, portanto, deveriam compôr o cânon bíblico – foi o Magistério da Igreja Católica – ou seja, os bispos. Mas com que autoridade? E como eles sabiam isso?

A resposta a ambas as perguntas é basicamente a mesma. Em suma, os bispos católicos foram sagrados por bispos mais antigos, que foram sagrados por outros bispos ainda mais antigos, e assim sucessivamente até remontarmos aos Santos Apóstolos, os quais foram escolhidos pelo próprio Cristo, conforme estudamos aqui. Desse modo, a autoridade que o Senhor Jesus deu aos Apóstolos foi passada por estes a seus sucessores, razão pela qual eles podiam discernir e confirmar a todos os cristãos quais eram os livros divinamente inspirados e que, portanto, deveriam integrar as Sagradas Escrituras, conforme estudamos aqui.

Tudo bem, alguém pode argumentar, mas como, ainda que tivessem tal autoridade, eles saberiam quais livros eram divinamente inspirados sem terem ainda a Bíblia para isso?

Simples: assim como a autoridade foi passada de geração em geração de cristãos por meio das sagrações episcopais, também a Sã Doutrina, antes de ser escrita, foi oralmente transmitida. Os Apóstolos não chegavam a uma comunidade de pagãos distribuindo livros, mas pregando o Evangelho em alta voz.

Eu posso não dispor dos dados, mas acredito que dizer “vai estudar” para alguém que não concorda com você é muito menos efetivo do que sentar com essa e explicar o seu ponto, ou mesmo gravar um vídeo comentando tal tema com toda a tranquilidade e fornecendo todos os argumentos de que você dispõe.

Pois bem, com isso, a Doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo passou Dele aos Apóstolos, dos Apóstolos aos judeus e pagãos, dos convertidos a outros não-cristãos, e assim por diante. Porém, a fim de que a Verdade não fosse desfigurada pelo boca-a-boca, os Apóstolos fizeram dos bispos os chefes das igrejas locais que eles fundavam, de modo que eles passaram a ser os guardiões da Sã Doutrina.

Foi assim, portanto, que o Depósito da Fé se manteve incorrupto: através da Tradição e do Magistério católicos.

Antes de finalizarmos por hoje, caso alguém esteja confuso com o uso dos termos “católico” e “cristão”: no princípio do cristianismo já se chamava de “Católica” a Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, e não existia aquilo que hoje é classificado como “cristão não-denominacional”, pois ou você era da Igreja Católica, ou você não era cristão. E foi somente por conta do surgimento de hereges que, separados da Igreja, ainda assim queriam se chamar de “cristãos” que se passou a aplicar o termo “católicos” àqueles que se mantinham em plena comunhão com a Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo a Sã Doutrina transmitida por Ele aos Seus Apóstolos e, deles, a todas as gerações de cristãos através dos bispos. Por isso, quando falarmos em “cristãos”, estaremos nos referindo aos católicos, e vice-versa; já quando quisermos nos referir àqueles que negam um único dogma da Igreja, usaremos o termo “hereges”, que é o que são. E, aproveitando o gancho, já aviso que, no artigo de amanhã, trataremos justamente sobre a importância do Magistério no combate as heresias.

Viva Cristo Rei! Viva Nossa Senhora Corredentora do Gênero Humano e Medianeira de Todas as Graças! E viva a Santa Igreja Católica!

 

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