Sabemos que há vários evangelhos apócrifos. Inclusive, para cada Apóstolo há um evangelho cuja autoria lhe foi atribuída. Por que, então, não estão todos na Bíblia? Quem decidiu o que deveria estar dentro ou fora do cânon bíblico?
Quem discerniu quais livros eram divinamente inspirados – e, portanto, deveriam compôr o cânon bíblico – foi o Magistério da Igreja Católica – ou seja, os bispos. Mas com que autoridade? E como eles sabiam isso?
A resposta a ambas as perguntas é basicamente a mesma. Em suma, os bispos católicos foram sagrados por bispos mais antigos, que foram sagrados por outros bispos ainda mais antigos, e assim sucessivamente até remontarmos aos Santos Apóstolos, os quais foram escolhidos pelo próprio Cristo, conforme estudamos aqui. Desse modo, a autoridade que o Senhor Jesus deu aos Apóstolos foi passada por estes a seus sucessores, razão pela qual eles podiam discernir e confirmar a todos os cristãos quais eram os livros divinamente inspirados e que, portanto, deveriam integrar as Sagradas Escrituras, conforme estudamos aqui.
Tudo bem, alguém pode argumentar, mas como, ainda que tivessem tal autoridade, eles saberiam quais livros eram divinamente inspirados sem terem ainda a Bíblia para isso?
Simples: assim como a autoridade foi passada de geração em geração de cristãos por meio das sagrações episcopais, também a Sã Doutrina, antes de ser escrita, foi oralmente transmitida. Os Apóstolos não chegavam a uma comunidade de pagãos distribuindo livros, mas pregando o Evangelho em alta voz.
Eu posso não dispor dos dados, mas acredito que dizer “vai estudar” para alguém que não concorda com você é muito menos efetivo do que sentar com essa e explicar o seu ponto, ou mesmo gravar um vídeo comentando tal tema com toda a tranquilidade e fornecendo todos os argumentos de que você dispõe.
Pois bem, com isso, a Doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo passou Dele aos Apóstolos, dos Apóstolos aos judeus e pagãos, dos convertidos a outros não-cristãos, e assim por diante. Porém, a fim de que a Verdade não fosse desfigurada pelo boca-a-boca, os Apóstolos fizeram dos bispos os chefes das igrejas locais que eles fundavam, de modo que eles passaram a ser os guardiões da Sã Doutrina.
Foi assim, portanto, que o Depósito da Fé se manteve incorrupto: através da Tradição e do Magistério católicos.
Antes de finalizarmos por hoje, caso alguém esteja confuso com o uso dos termos “católico” e “cristão”: no princípio do cristianismo já se chamava de “Católica” a Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, e não existia aquilo que hoje é classificado como “cristão não-denominacional”, pois ou você era da Igreja Católica, ou você não era cristão. E foi somente por conta do surgimento de hereges que, separados da Igreja, ainda assim queriam se chamar de “cristãos” que se passou a aplicar o termo “católicos” àqueles que se mantinham em plena comunhão com a Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo a Sã Doutrina transmitida por Ele aos Seus Apóstolos e, deles, a todas as gerações de cristãos através dos bispos. Por isso, quando falarmos em “cristãos”, estaremos nos referindo aos católicos, e vice-versa; já quando quisermos nos referir àqueles que negam um único dogma da Igreja, usaremos o termo “hereges”, que é o que são. E, aproveitando o gancho, já aviso que, no artigo de amanhã, trataremos justamente sobre a importância do Magistério no combate as heresias.
Viva Cristo Rei! Viva Nossa Senhora Corredentora do Gênero Humano e Medianeira de Todas as Graças! E viva a Santa Igreja Católica!
Aprenda mais com estes artigos:
Você sabe quais são as principais fontes da revelação divina?
Você sabe a diferença entre religião natural e sobrenatural?


