25 de September de 2026 Artigo
7 min

Você sabe quais são as principais fontes da revelação divina?

Descubra quais são as principais fontes da revelação divina, bem como sob qual autoridade os livros que compõe o cânon bíblico foram estabelecidos.

Yago Portella

Yago Portella

Redação CDB


Você sabe quais são as principais fontes da revelação divina?

As principais fontes da revelação são duas: a Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura, sendo que, embora ambas sejam imbuídas da mesma autoridade, a Sagrada Tradição tanto antecede quanto é muito mais ampla que a Sagrada Escritura. E por que isso?

Na antiguidade, escrevia-se muito pouco em comparação ao conhecimento que se tinha, de modo que a principal via de transmissão do saber era a oral. Não obstante, afirma-nos São João:

“Fez Jesus, na presença dos Seus discípulos, ainda muitos outros mila­gres que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em Seu nome.” (Jo 20, 30s)

Ou seja, a Sagrada Escritura contém o essencial, mas não o todo: tudo aquilo que é essencial à salvação do homem se encontra na Sagrada Escritura, mas nem tudo aquilo que compõe a Verdade revelada por Deus à Sua Santa Igreja Católica está ali contido.

Mas e quem foi que disse que aqueles livros que estão na Bíblia são divinamente inspirados e, portanto, são fontes da revelação?

A Santa Igreja Católica através de seu Magistério.

E quem é o Magistério Católico para arrogar a si o direito de julgar quais livros foram inspirados por Deus e quais são apócrifos? Quem lhe deu autoridade para isso?

O Magistério Católico é composto pelos sucessores dos Santos Apóstolos – ou seja, os bispos –, e quem lhes deu tal autoridade foi o próprio Deus feito homem, a começar por São Pedro. Sim, como lemos no capítulo 16 do Evangelho segundo São Mateus, São Pedro foi feito pelo próprio Cristo o chefe, a cabeça de Sua Santa Igreja Católica, e foi o único a receber sozinho autoridade para discernir a Verdade do erro, a ortodoxia da heterodoxia, e ensinar a Sã Doutrina, com todos os seus dogmas, a todo o povo de Deus:

“Chegando ao território de Cesareia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: ‘No dizer do povo, quem é o Filho do Homem?’.

Responderam: Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas’.

Disse-lhes Jesus: ‘E vós quem dizeis que eu sou?’

Simão Pedro respondeu: ‘Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!’.

Jesus, então, lhe disse: ‘Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus’.” (Mt 16, 13-19)

Após esse evento, Jesus, em outro momento, estendeu também ao Colégio Apostólico, em comunhão com São Pedro, poder semelhante ao que concedera a Simão, exceto pelas chaves:

“Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligar­des sobre a terra será também desligado no céu.” (Mt 18, 18)

Alguém poderia objetar: “Ah, mas Jesus deu essa autoridade aos Apóstolos. O que os tais bispos têm a ver com isso, e quem disse que eles são seus sucessores?”

A resposta se encontra tanto na Sagrada Tradição e na História – que nos ensinam que, ao morrer, um Apóstolo deveria ser substituído, bem como, ao ser fundada uma diocese, alguém deveria ser sagrado bispo para governá-la em nome dos Apóstolos – quanto na Sagrada Escritura:

“Em um daqueles dias, levantou-se Pedro no meio de seus irmãos, na assembleia reunida que constava de umas cento e vinte pessoas, e disse: ‘Irmãos, convinha que se cumprisse o que o Espírito Santo predisse na escritura pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus. Ele era um dos nossos e teve parte no nosso ministério.

Esse homem adquirira um campo com o salário de seu crime. Depois, tombando para a frente, arrebentou-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram. Tornou-se este fato conhecido dos habitantes de Jerusalém, de modo que aquele campo foi chamado na língua deles Hacéldama, isto é, Campo de Sangue.

Pois está escrito no Livro dos Salmos: Fique deserta a sua habitação, e não haja quem nela habite; e ainda mais: Que outro receba o seu cargo (Sl 68,26; 108,8). Convém, pois, que destes homens que têm estado em nossa companhia todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós, a começar do batismo de João até o dia em que de nosso meio foi arrebatado, um deles se torne conosco testemunha da sua Ressurreição’.

Propuseram dois: José, chamado Bar­sabás, que tinha por sobrenome Justo, e Matias. E oraram nestes termos: ‘Ó Senhor, que conheces os corações de todos, mostra-nos qual destes dois escolheste para tomar neste ministério e apostolado o lugar de Judas que se transviou, para ir para o seu próprio lugar’.

Deitaram sorte e caiu a sorte em Matias, que foi incorporado aos onze apóstolos.” (At 1, 15ss)

Assim, àqueles que dizem crer “apenas na Bíblia”, vemos que a própria Sagrada Escritura confirma a autoridade que, pela Tradição, já era sabido que os Santos Apóstolos e os demais bispos detinham, a qual é transmitida por meio da sucessão apostólica. E mais: se não houvesse uma Tradição sendo transmitida de geração em geração e um Magistério atuando desde sempre para transmitir a Verdade revelada, não haveria como crer naquilo que diz a Bíblia, pois o argumento acerca da origem da autoridade seria circular. Assim, vemos que a autoridade é conferida por Deus aos Apóstolos, que a conferem aos bispos que os sucedem – bem como transmitem os ensinamentos a respeito da Sã Doutrina, constituindo a Sagrada Tradição –, os quais determinam, por meio dessa autoridade e à luz da Sagrada Tradição, quais livros são divinamente inspirados, dando-nos uma fonte escrita da Verdade revelada.

Há, porém, quem objete que o Antigo Testamento deveria conter apenas os livros reconhecidos pelos judeus. Ora, se fôssemos seguir essa linha de pensamento, logo deveríamos pôr fora todo o Novo Testamento e perder a Fé na divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Se queremos crer no que os judeus dizem, então abracemos o judaísmo e percamos a nossa salvação. Mas, se queremos ser cristãos, confiemos naquilo que ensina a Santa Madre Igreja, o que inclui a determinação de quais livros são divinamente inspirados e que, portanto, devem compor o cânon bíblico. Até porque o próprio livro do Apocalipse, apenas para citar um exemplo, só foi oficialmente reconhecido como tendo sido divinamente inspirado no Sacrossanto Concílio de Trento, no século XVI, após a revolução protestante – cujo pai, diga-se de passagem, queria arrancar livros não apenas do Antigo, mas também do Novo Testamento (e, por “pai”, leia-se “Lutero” ou “Satanás”, por aquele era apenas o instrumento deste para dividir a Cristandade e jogar no inferno inúmeras almas que se apartaram da Barca de Pedro para se lançarem no mar revolto das heresias).

Em artigo futuro exploraremos ainda mais a importância do Magistério para a preservação e difusão da Fé de modo incorrupto a todos os povos e nações ao longo da História. Por ora, porém, encerramos por aqui, a fim de não nos alongarmos em demasia. E desejo que tenha ficado elucidada a razão pela qual tanto a Sagrada Escritura quanto a Sagrada Tradição são as principais fontes da revelação divina, com a Tradição precedendo e embasando a Bíblia ao mesmo tempo em que ambas partilham da mesma autoridade.

Viva Cristo Rei! Viva Nossa Senhora Corredentora e Medianeira de Todas as Graças! E viva a Santa Igreja Católica!

 

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