Francisco Franco, o generalíssimo que governou a Espanha por quase quatro décadas, foi, sem exagero algum, o último autêntico príncipe católico da Europa. Ele, afinal, buscou ser para a Igreja na Espanha aquilo que o Imperador Teodósio foi para Roma no final do século IV, elevando o catolicismo ao seu lugar de direito e combatendo os inimigos da Fé – como, ao longo do Milênio de Cristo, foi, também, dever dos príncipes cristãos que governaram as nações da Cristandade Medieval.
Em 1931, o Rei Alfonso XIII de Espanha abandonou o trono após a vitória dos republicanos (leia-se comunistas) nas eleições municipais. Ausente o rei, que fora embora do país, efetivou-se o golpe que instaurou o terrível regime da Segunda República Espanhola.
Nesse mesmo ano, assumiu o poder na Espanha um governo comunista que cometeu um massacre de católicos, queimou igrejas, confiscou bens eclesiásticos e socializou terras e indústrias, totalmente inspirado em Lênin. Tudo de forma democrática, pois, afinal, foram eleitos.
Em 1933, um governo anticomunista vence as eleições, mas, já no ano seguinte, eclode uma revolta comunista nas Astúrias – local onde, 1.200 anos antes, começara a Reconquista da Península Ibérica após a dominação moura. Ao todo, de duas a três mil pessoas são mortas pelos comunistas, incluindo oito mártires dentro de uma igreja enquanto participavam da Missa.
Após isso, novamente um governo comunista assume, dessa vez ainda mais brutal que o anterior, proibindo até mesmo o ingresso de mulheres no convento.
Em 1936, na Catalunha – que, a essa altura, estava parcialmente autônoma –, o governo proíbe a Religião e o ensino religioso, socializa todas as empresas, estabelece a reforma agrária e libera a atuação das milícias anarquistas. Como o desejo dos comunistas era combater a burguesia, eles constatam que não podem contar com o exército, de modo que, tanto na Catalunha quanto em Madri, o governo comunista arma a população para que sejam formadas milícias com plena liberdade de atuação.
À frente dessas milícias estavam os anarquistas, que eram contrários à existência do Estado. E, tendo plena liberdade de atuação para executar quem bem entendessem, eles anarquistas começaram a chacinar católicos. Suas operações de invasão, contudo, eram sempre decididas com base no voto, pois os terroristas acreditavam na democracia. E foi nesse contexto que teve início a Última Cruzada de Espanha, também conhecida como Guerra Civil Espanhola.
Tem início a Guerra Santa
Em julho de 1936, o exército espanhol tenta dar um golpe no governo comunista. Eles conseguem muitos territórios, mas falham em tomar Madri. Estava instaurada a guerra civil entre nacionalistas e republicanos, a qual, para muito além de conflito ideológico, consistia em um combate entre os defensores de Nosso Senhor Jesus Cristo e os inimigos da Cruz.
Em 20 de julho – dois dias após o início da guerra civil –, o general José Sanjurjo, então no exílio em Portugal, embarcou clandestinamente em um biplano para liderar os nacionalistas. Contudo a aeronave não conseguiu ganhar altitude suficiente, chocou-se na decolagem e o general morreu em um “acidente” até hoje não explicado. Em sua ausência, os militares ficaram sem comando, e é aí que, precisando decidir entre si quem assumiria a frente do exército, um general que aderira ao levante pouco antes de seu início, Francisco Franco, é apontado como o grande líder nacionalista.
Perseguições aos cristãos
A guerra se estendeu por três anos. Ao longo desse período, quase 7.000 membros do clero foram torturados e mortos, incluindo mais de 4.000 padres e 13 bispos, além de professoras de catecismo. O governo republicano condenava à morte até mesmo quem tivesse parentesco com padres, queimava igrejas e chegou a haver um famoso caso onde os anarquistas profanaram túmulos de freiras e realizaram um “baile” macabro com seus cadáveres. Para se ter uma noção, a atuação anti-católica dos republicanos ficou conhecida como Terror Vermelho.
Já do lado nacionalista, que lutava em nome da civilização cristã e tinha o apoio da hierarquia da Igreja, foram mortos entre 16 e 20 padres, a maioria bascos, pois o País Basco era leal à República, e lá os republicanos não estavam perseguindo o clero. Assim, após a tomada da região pelos nacionalistas, houve esse infeliz episódio.
Antes desses eventos, porém, ainda no início da Cruzada, Franco pedira ajuda a Hitler e Mussolini para contornar um bloqueio naval republicano, pois a Marinha havia ficado ao lado dos comunistas. Os líderes da Alemanha e da Itália prontamente atenderam ao general, enviando suas forças aéreas para combaterem em prol dos católicos. E como Franco tinha o prestígio deles, isso favoreceu para que ele fosse escolhido pelos demais militares como o Generalíssimo, líder dos cristãos na guerra civil.
O fim da Cruzada e o início da Era Franco
A 1º de abril de 1939, os católicos finalmente tomaram Madri, pondo fim à Cruzada. Com isso, Francisco Franco assumiu como o Caudillo de Espanha, chefe máximo da nação. E tratou logo de trabalhar pela restauração dos direitos da Igreja no país de tão longa tradição cristã. Não atoa a sua forma de governo, que alguns erroneamente chamam de “ditadura fascista”, ficou conhecida como nacional-catolicismo.
Conforme diz Carlos de Meer na obra “Generalíssimo: a Era de Franco e seus feitos”, à venda na loja do Centro Dom Bosco:
“Franco, desde o primeiro momento de seu mandato, cancelou todas as disposições antirreligiosas da República: cancelou a expulsão dos jesuítas e lhes devolveu seu patrimônio imobiliário confiscado pelo governo republicano; anulou a secularização dos cemitérios; voltou a dar ao clero seus haveres concordatários; anulou a disposição que impedia às ordens religiosas exercer o ensino; voltou a dotar de capelães hospitais, forças armadas e centros assistenciais. Devolveu à Igreja todos os edifícios e bens imóveis confiscados pela República. Sem dúvida, declarou a Confessionalidade Católica do Estado.”
Vencida a Guerra Santa contra os comunistas, Franco, agora governante de toda a Espanha, seguiu atuando como um autêntico príncipe católico romano e medieval. Tendo pacificado a nação, o caudillo, a exemplo do Imperador Teodósio, restaurou ao catolicismo a dignidade que lhe é devida de religião nacional e perseguiu os inimigos da Cruz.
Certo de que as perseguições aos cristãos que culminaram na Guerra Civil Espanhola eram obra de uma conspiração-judaico-maçônica-comunista internacional que contava com o auxílio dos protestantes, ele entendia que era necessário combater os operadores desse plano diabólico de destruição da unidade espiritual e a identidade católica da Espanha. E não sem razão, pois, após o fim da II Guerra Mundial – da qual os espanhóis não participaram –, as potências estrangeiras tentaram de todo modo estrangular economicamente o país ibérico a fim de forçar a queda de Franco.
Combate à maçonaria e às heresias
Determinado a combater essa conspiração satânica e internacional, o caudillo criou a Lei para a Repressão da Maçonaria e do Comunismo já em 1940. Por meio dela, Franco tornou um crime grave o pertencimento à maçonaria e, à luz dos ensinamentos da Igreja, estabeleceu que ela era uma “instituição secreta que conspira contra a Religião, a Pátria e suas instituições fundamentais”. As penas variavam de 12 a 30 anos de reclusão, dependendo do grau do maçom, e contavam com o confisco de bens e a demissão sumária de cargos públicos.
Vale lembrar que, durante o período medieval, o juramento dos reis durante a coroação – que era sempre feita pelo próprio Papa ou por um bispo que ungia o monarca com óleo santo para legitimar a sua autoridade como vinda do Alto – incluía o compromisso de proteger a Igreja, defender a Fé Católica e extirpar as heresias por meio da força estatal. E note que, além de um grave pecado, a heresia era, ainda, equiparada ao crime de lesa-majestade, pois ameaçava a ordem pública ao pôr em xeque a unidade espiritual da nação.
Desse modo, seguindo o exemplo dos grandes reis da História, Francisco Franco não hesitou em perseguir os hereges protestantes. Ser espanhol, afinal, significava, obrigatoriamente, ser católico.
Assim, logo após a vitória na Guerra Santa, o caudillo fechou capelas protestantes e exilou pastores heréticos.
Mais adiante, em 1945, a constituição composta por Franco reconheceu o catolicismo como a Religião oficial da Espanha e proibiu as cerimônias e manifestações públicas de falsas religiões, mas determinou que ninguém poderia ser importunado pelo exercício privado de suas crenças errôneas – o que não se trata de um direito, mas de uma concessão, conforme ensinado por Leão XIII em sua encíclica Immortale Dei, no parágrafo 46, onde ele diz que a Igreja não condena os governantes que, para impedir um mal, julgam necessário tolerar a existência de falsas religiões.
Já na década de 1950, após a assinatura da Concordata entre Madri e Vaticano, os protestantes foram reconhecidos como cidadãos de segunda-classe – assim como os reis cristãos faziam com os pérfidos judeus durante a Cristandade Medieval –, sendo proibidos de exercerem cargos públicos, lecionar em escolas e ascender na carreira militar. Além disso, as capelas protestantes não podiam ter placas na fachada ou portas que dessem para a rua, e a literatura protestante foi abolida no país.
O Nacional-Catolicismo de Franco na Concordata com a Santa Sé
Ao longo de quase 15 anos, desde que venceu a Cruzada contra os comunistas, Franco tratou com a Santa Sé para conceder cada vez mais direitos à Igreja em território espanhol. Apesar disso, o caudillo sofreu resistência de dentro da cúria por parte de clérigos bascos e catalães que, nas palavras de Meer, eram contrários a Franco por desejarem a separação do País Basco e da Catalunha do restante da Espanha, o que quase culminou em uma ruptura diplomática (embora não religiosa) entre Madri e o Vaticano. Seja como for, fato é que, em 27 de agosto de 1953, foi assinada uma Concordata entre o Caudillo Franco e o Papa Pio XII na qual constavam termos como:
O reconhecimento de que a “Religião Católica, Apostólica, Romana segue sendo a única da Nação Espanhola e gozará dos direitos e das prerrogativas que lhe correspondem em conformidade com a Lei Divina e o Direito Canônico”;
A isenção do serviço militar aos clérigos e religiosos;
A previsão de que sacerdotes só poderiam ser julgados por tribunais estatais mediante aprovação do bispo diocesano;
A nomeação dos bispos se daria mediante uma prévia seleção de 6 nomes feita por Franco, que os encaminharia ao Papa, o qual cortaria 3 nomes dela e adicionaria outros caso desejasse, a fim de que o caudillo escolhesse dentre eles quem seria sagrado bispo.
Além disso, reconhecendo a sacralidade do matrimônio e a sua indissolubilidade, em plena conformidade com a Lei de Deus, Franco aboliu o divórcio na Espanha e unificou o casamento civil com o religioso. Assim, quem casasse na Igreja estaria oficialmente casado também aos olhos do Estado.
Para aqueles, porém, que desejassem um casamento meramente civil, embora isso fosse possível, era bastante difícil, pois os “noivos” deveriam comprovar que não eram batizados ou que haviam abandonado a Fé Católica mediante uma declaração formal de apostasia.
Não obstante, também o adultério era considerado um crime punido com prisão. E todos os casamentos religiosos ficavam sob a alçada da Igreja, de modo que processos de separação de corpos ou nulidade matrimonial eram tratados exclusivamente por tribunais eclesiásticos, sem a interferência de tribunais civis.
Governo-Modelo e Príncipe Católico
Em suma: o Nacional-Catolicismo de Franco era o mais próximo de um modelo ideal de governo que a Igreja poderia conceber para os tempos modernos. Não havia nenhum outro governante no mundo que fizesse tanto pela salvação das almas quanto o do caudillo. E é por isso que, sem exageros ou receios, podemos chamá-lo de “Último Príncipe Católico”.
Ademais, além de a Igreja considerar o acordo firmado entre a Santa Sé e a Espanha como uma Concordata-modelo – corroborando essa ideia de que o governo espanhol era o ideal que todas as nações modernas devem almejar se tornar –, o próprio Pio XII honrou Franco com o Grande Colar da Ordem Suprema de Cristo – ou Suprema Ordem Equestre da Milícia de Nosso Senhor Jesus Cristo –, que é a mais alta comenda e distinção honorífica que a Santa Sé pode conceder a um católico por serviços prestados à Igreja.
Viva Cristo Rei! Viva Nossa Senhora Corredentora do Gênero Humano e Medianeira de Todas as Graças! E viva a Santa Igreja Católica!
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