Quando o Generalíssimo Francisco Franco reconquistou Madrid e venceu a Guerra Santa contra os comunistas na Espanha – também chamada de Guerra Civil Espanhola – em 1º de abril de 1939, teve início o governo que ficaria marcado como o mais próximo do ideal católico de nosso tempo. E seria justamente isso que atrairia o ódio das autoridades vaticanas.
Deixado no passado o fracassado experimento do regime democrático no país da Reconquista, o que se formou, embora não recebesse o título oficial de “Monarquia”, mas sim de “Nacional-Catolicismo”, foi, na prática, muito similar a um regime monárquico, restabelecendo os direitos de Cristo por meio da confessionalidade católica do Estado Espanhol e do reconhecimento de inúmeros direitos à Igreja. E não por acaso, pois, para governar, Franco se inspirou nos antigos Reis Católicos, Isabel de Castela e Fernando de Aragão, os quais expulsaram os judeus e os muçulmanos de seus reinos, fomentaram a Santa Inquisição Espanhola e levaram a nação ao seu apogeu, conhecido como o Século de Ouro Espanhol.
Vale pontuar que foi justamente no governo franquista que a Igreja deu início ao processo de canonização dessa mesma Rainha Isabel de Castela, a Católica – processo esse que ainda está em aberto, mas que já conferiu à monarca o título de Serva de Deus. E também convém dizer que foi no reinado desta santa e de seu marido que teve fim a Reconquista, com a retomada de Granada pelos Reis Católicos em 1492, encerrando para sempre o último resquício de usurpação islâmica na Península Ibérica após 700 anos.
Para conhecer com mais detalhes como foi o governo de Franco, você pode ler este artigo e também adquirir a obra Generalíssimo: A Era de Franco e seus Feitos.
Foquemos, agora, no tema principal de nossa matéria: o desmantelamento do Catolicismo Espanhol pelas mãos do Vaticano.
Como o Vaticano destruiu o Catolicismo na Espanha?
Se, antes do Concílio Vaticano II (CVII), Francisco Franco era tido por Roma como um exemplo de governante católico a ser imitado, após esse terrível evento da história da Igreja o Papa Paulo VI encabeçou pessoalmente a luta pela destruição do Estado Católico Espanhol e a instauração do liberalismo satânico.
A primeira atitude do líder da Igreja Conciliar contra o Fé na Espanha foi baseada no documento de 1965 do CVII chamado Dignitatis Humanæ, o qual, contrariando o ensinamento perene da Igreja Católica de que só o Catolicismo deve ter direitos em uma sociedade, estabeleceu a já condenada “liberdade religiosa” como um “direito humano”. Com base nesse documento heterodoxo, Paulo VI pressionou diretamente o governo de Franco a alterar as leis que proibiam o culto público de falsas religiões em território espanhol.
Por conta dessa pressão, a Espanha se viu forçada a promulgar a Lei de Liberdade Religiosa, destronando Cristo para que, por ordem do Papa, Satanás pudesse reinar. Foi um verdadeiro suicídio espiritual que levou o país de uma Nação Católica a um antro liberal, onde floresceriam a maçonaria, as falsas religiões e a completa degradação moral, ao ponto de, hoje, serem legalizados o aborto, a eutanásia e o “casamento” gay, tudo por culpa exclusivamente de Roma.
O CVII também determinou que os governos civis não deveriam mais ter o privilégio de nomear bispos (Patronato Real). Ocorre, porém, que Franco assinara a famosa Concordata de 1953 com o Papa Pio XII, na qual o Santo Padre concedera a Franco o direito de escolher os bispos diocesanos da Espanha.
Para driblar isso, Paulo VI começou a nomear uma grande quantidade de bispos auxiliares e administradores apostólicos de perfil progressista, alinhados ao aggionamento (a “modernização da Igreja”). Em complemento, o Papa começou a deixar dioceses importantes sem um bispo titular (ou com bispos idosos e afastados) e a colocar esses novos bispos auxiliares para governarem as regiões de fato.
Apoiados pela Santa Sé, os novos bispos se tornaram opositores do governo franquista e passaram a defender abertamente a transição de regime para uma democracia liberal e laica. Desse modo, Roma começou a minar o Catolicismo Espanhol por dentro, a fim de pôr abaixo a Fé e fazer triunfar a heresia modernista, que mais tarde o Papa João Paulo II orgulhosamente chamaria de “Espírito de Assis”.
Não obstante, há, ainda, o problema que impactou não apenas a Espanha, mas o mundo inteiro: a chamada missa nova de Paulo VI, ou Novus Ordo Missæ. Nunca esqueçamos que ela transformou o padre, outrora um sacerdote que apresentava a Vítima Expiatória ao Pai sobre o altar, em um presidente de assembleia, além de permitir a introdução de todo tipo de abuso litúrgico, incluindo mulheres no altar, leigos pegando a Sagrada Eucaristia e bebendo o Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor com as próprias mãos, pessoas indo à missa mal-vestidas (shorts, bermudas, chinelos, cabeça descoberta) – e isso só para mencionar os elementos que os conservadores considerariam condizentes com uma missa nova “bem celebrada”. Mas os frutos não mentem: as pessoas perderam a Fé de que a Hóstia Consagrada é verdadeiramente Deus, os seminários se esvaziaram e as sociedades se tornaram extremamente liberais e, portanto, anti-católicas.
Um país laico é o cenário ideal para a propagação do Catolicismo?
Há uma narrativa de que, em nosso tempo, um Estado laico, com plena liberdade religiosa, seria o cenário ideal para a difusão do catolicismo. Diz-se que as pessoas se converteriam pelo exemplo, por conviverem com bons católicos, sem a necessidade de lhes anunciar o Evangelho e admoestar acerca de sua má vida, como fazia São João Batista. Pergunto: isso tem funcionado?
Provavelmente você que está lendo é brasileiro, então eu lhe questiono: o Brasil tem se tornado mais ou menos católico desde o CVII? As vocações sacerdotais cresceram ou diminuíram nos últimos 60 anos? E os bancos das igrejas, ficaram mais cheios ou mais vazios?
Alguns podem argumentar que está ocorrendo um ressurgimento do catolicismo no Ocidente. Mas eu afirmo: ele acontece apesar do Vaticano, e não por causa dele, pois os pastores se calaram, e então as pedras tiveram de falar. Nosso Senhor tem, talvez de uns 10 anos para cá, feito brotar novamente o desejo de busca pela Fé nos corações. Mas mesmo assim as pessoas se sentem confusas sobre como proceder, porque olham para seus padres e bispos e veem um bando de comunistas; olham para o Papa, veem uma total incompatibilidade com aquilo que a Igreja sempre ensinou e tentam fazer malabarismos hermenêuticos para dar a entender algo oposto ao que ele efetivamente diz (a deplorável “hermenêutica da continuidade” que se tenta aplicar a uma explícita ruptura).
A conversão de cima para baixo na história da Igreja
Tanto os frutos do CVII quanto a história da Igreja nos demonstram que um governante católico arrasta seus súditos ao Catolicismo. Isso é próprio da natureza humana: as pessoas seguem o líder que admiram para onde quer que ele vá assim como as ovelhas seguem o seu pastor.
Quer um exemplo? Quantos vezes um político, seja de esquerda ou de direita, defende uma pauta que seria associada à ideologia que ele diz combater, e faz isso com o claro intuito de ganhar votos, e os seus admiradores passam a defender aquilo como se não a estivessem criticando até uma semana antes?
Pois bem, vejamos dois grandes exemplos históricos de como o povo segue seu líder.
Quando Clóvis, Rei dos Francos, converteu-se do paganismo ao Catolicismo, tendo recebido o batismo no Natal de 496, na noite de 25 de dezembro, 300 de seus soldados pediram para serem batizados também. Mas não só eles: a conversão de Clóvis, em verdade, arrastou consigo toda a Gália à Fé Verdadeira, de modo que eles se tornaram o primeiro reino pagão pós-Império Romano a se converter ao Cristianismo, vindo, a sua nação, a receber o título de “Filha Primogênita da Igreja” – sim, estamos falando da França.
Em contrapartida, quando Henrique VIII, Rei da Inglaterra, incorreu em cisma, ele levou o seu país junto, ao ponto de serem declaradas leis severas contra o Catolicismo no reino. Primeiro a nobreza e o parlamento se submeteram e, depois, toda a população.
Mas, então, vem o CVII com o seu aggiornamento e quer reinventar a roda: descristianizar a Espanha para então “reevangelizá-la do jeito certo”, abrindo, assim, as portas às falsas religiões e expondo a população ao erro que mata a alma para “converter pelo exemplo, sem proselitismo”.
Antes do Concílio Vaticano II a Igreja sempre condenou a liberdade religiosa
Antes do CVII, o ensinamento perene da Igreja sempre foi o de que um Estado católico deve proteger os seus cidadãos de falsas religiões. Não há um único Papa em toda a história da Igreja anterior a 1960 que tenha defendido o pluralismo religioso como um bem em si.
O Papa Pio IX, na Encíclica Quanta Cura e no Syllabus, condenou explicitamente, em 1864, a ideia de que a liberdade de consciência e de cultos é um direito próprio de cada homem. E em 1925, ao instituir a Festa de Cristo Rei por meio da Encíclia Quas Primas, o Papa Pio XI afirmou que não apenas os indivíduos, mas também as nações, magistrados e governantes são obrigados a dar culto público e prestar obediência a Cristo.
Como pudemos ver, com base na Tradição da Igreja, desmontar um Estado Católico como a Espanha de Franco – onde as leis protegiam os sacramentos, a família e a moral – sob a justificativa de que isso tornaria a Fé dos indivíduos “mais autêntica”, “livre da opressão estatal”, carece inteiramente de precedentes na história da Igreja.
E o resultado prático não podia ser outro: assim que as leis católicas foram revogadas por pressão de Roma e a liberdade religiosa foi estabelecida, a Espanha não se tornou um campo de “católicos mais puros e convictos”. Em vez disso, o país foi inundado pelo secularismo, as vocações colapsaram e, em alguns anos, foram aprovadas as leis do aborto e do divórcio. O Vaticano entregou as almas dos espanhóis a Satanás e condenou inúmeras crianças ao limbo por morrerem sem o batismo, assassinadas no ventre materno.
Antes de encerrarmos, convém dizer, ainda, que não foi só a Espanha de Franco que se viu traída pelo Vaticano, mas a Colômbia e o Cantão de Valais, na Suíça, também foram forçados a apostatar por ordem do Papa. Mas isto fica para um próximo artigo.
Deus tenha piedade de nós e que Santa Isabel de Castela interceda pela nossa salvação.
Viva Cristo Rei! Viva Nossa Senhora do Pilar! E viva a Santa Igreja Católica!


