Hoje, 16 de outubro, a Igreja celebra Santa Edwiges, a padroeira dos endividados. Portanto, se esse é o seu caso, talvez ela seja a santa de devoção ideal para você. Conheça sua história agora.
Filha do Conde Bertoldo IV da Merânia e da Condessa Inês de Rochlitz, Santa Edwiges nasceu no Ducado da Baviera, no Sacro Império Romano-Germânico, em 1174, durante o reinado de Frederico Barbarossa. Sua educação se deu em um mosteiro, como era costume na época dentre as famílias nobres, e ali ela aprendeu muito sobre as Sagradas Escrituras.
Quando tinha 12 anos, Santa Edwiges se casou com o Duque Henrique I da Silésia, de 21, tornando-se duquesa ao lado do marido. Atualmente parte da República Tcheca, o Ducado da Silésia fazia parte da Polônia na época.
Aos 13, Santa Edwiges engravidou pela primeira vez, e já desde essa primeira gestação ela e o marido, que também era um homem muito piedoso, concordaram em, durante todo o período gestacional, guardar a continência sexual como uma forma de devoção e sacrifício pelo bem das almas e da saúde de seus filhos – prática essa que eles mantiveram em todas as seis gestações que tiveram. Não obstante, o casal também vivia a abstinência sexual durante o tempo o Advento, da Quaresma e nos dias santos. E, após o nascimento de seu sexto filho, eles fizeram um voto de continência perpétua, recebendo, inclusive, aprovação do bispo para tal.
Outras penitências de Santa Edwiges
Além da abstinência sexual, Santa Edwiges também fazia penitência se abstendo por completo, pela maior parte da vida, do consumo de carne. Assim, ao longo de 40 anos, sua alimentação se baseou em peixes e laticínios aos domingos, terças e quintas; legumes secos às segundas e sábados; e pão e água às quartas e sextas. E ela ainda jejuava seis vezes por semana, permitindo-se tomar duas refeições no mesmo dia apenas aos domingos e demais dias santos.
A única vez em que a santa rompeu a sua auto-penitência da abstinência de carne foi quando, caindo gravemente enferma, o Legado da Santa Sé a obrigou, mediante um voto de obediência, a comer carne para recobrar a saúde.
As penitências que Santa Edwiges se impunha, todavia, não cessam aí. A vida inteira ela se vestiu apenas com uma túnica, despojando-se de qualquer adorno, e, mesmo com o frio que faz na Polônia, andava sempre descalça.
Não obstante, a santa ainda usava um cilício de crina – um cinto geralmente feito de pele de cabra, extremamente áspero, posto diretamente sobre a pele como forma de mortificação –, disciplinando-se até que corresse sangue.
A vida de oração de Santa Edwiges
No aspecto da oração, Santa Edwiges também rezava com muito fervor e durante muitas horas. Assim, diversas vezes, quando suas camareiras iam até seus aposentos para despertá-la pela manhã, encontravam-na de joelhos ainda rezando desde a noite anterior. E ela ainda assistia diversas Missas por dia.
No decorrer de sua vida, a santa também incentivou a criação de casas religiosas e chegou a fundar o Mosteiro de Trebnitz, na Silésia, em 1203. Inclusive, frequentemente ela passava alguns dias recolhida nesse mosteiro e, após a morte do marido, mudou-se em definitivo para lá, embora não tenha feito os votos para se tornar efetivamente uma irmã, pois, assim, podia manter sua renda e ajudar os pobres com ela.
Santa Edwiges, padroeira dos endividados
Por falar em pobres, Santa Edwiges, por onde passava, era sempre seguida por eles, pois sabiam de sua caridade. Quando se deparava com uma viúva, a santa a enviava a um mosteiro, e, diante de crianças órfãs, tratava de ajudá-las a aprenderem um ofício.
Certa monta, Santa Edwiges, ao visitar uma prisão, descobriu que, ali, encontravam-se não apenas malfeitores, mas também pessoas presas por conta de dívidas. Profundamente sensibilizada por essa situação, ela saldou a dívida de inúmeros presos e lhes conseguiu trabalho. E essa é a razão pela qual a santa se tornou a padroeira dos endividados.
Mesmo em vida, Santa Edwiges também operou inúmeros milagres e chegou a profetizar a própria morte, que se deu em 15 de outubro de 1243, quando ela tinha 69 anos, no Mosteiro de Trebnitz. Sua canonização demorou apenas 24 anos, tendo ocorrido em 1267 pelo Papa Clemente IV, e suas relíquias são veneradas até hoje no mesmo local de seu falecimento, que não é mais um mosteiro, mas um santuário, onde ela está sepultada.
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