3 de September de 2026 Artigo
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Conheça a história de São Pio X, o camponês que virou papa

Hoje, 3 de setembro, a Igreja celebra São Pio X, o camponês que se tornou um dos papas mais célebres da história, eleito graças a uma inesperada intervenção.

Yago Portella

Yago Portella

Redação CDB


São Pio X é muito conhecido como o papa da Eucaristia, pois foi ele quem permitiu que, a partir da idade da razão (por volta dos 7 anos), as crianças pudessem receber a Primeira Comunhão. Também é famoso por sua intransigente luta contra a heresia modernista, tão difundida, hoje, na alta hierarquia da Igreja (o documento Pascnedi Dominici Gregis é, certamente, o maior marco dessa sua batalha, seguido pelo Juramento Anti-Modernista). E como não citar o Catecismo que leva o seu nome e que, até hoje, é considerado o melhor catecismo para leigos? Contudo, o que ora falaremos não são os seus feitos enquanto papa, mas a sua trajetória desde a infância até chegar à Cátedra de São Pedro.

Em 2 de junho de 1835, na vila de Riese, região de Vêneto, no antigo Império Austríaco (atualmente a região pertence à Itália unificada), nascia, de uma família camponesa, muito pobre e católica, Giuseppe Melchiorre Sarto, o futuro Papa São Pio X. Seu pai, Giovanni Battista Sarto, era carteiro, e sua mãe, Margarida Sanson, costureira. Giuseppe foi o segundo de dez filhos do casal.

Sua família era tão pobre que, quando tinha por volta de seus 10 anos, Giuseppe ia descalço para a escola, percorrendo um caminho de 7km, e somente se calçava quando já estava próximo do colégio. Ele fazia isso para não gastar os sapatos que tinha e, assim, evitar que seus pais logo precisassem comprar um novo par para ele.

A entrada de São Pio X no Seminário de Pádua

Desde cedo, Giuseppe manifestava aos seus pais o desejo de se tornar sacerdote. Todavia, isso demandava dinheiro. Assim, vendo a firmeza de propósito do filho, a família vendeu o melhor colchão que tinha em casa para bancar seu ingresso no Seminário de Pádua, o que se deu quando o jovem tinha 15 anos.

Infelizmente, apenas dois anos após a sua entrada no seminário, Giuseppe perdeu o pai, Giovanni, de modo repentino. São se sabe ao certo a causa da morte, mas ele não sofria de nenhuma doença, sendo terrivelmente súbito o seu falecimento.

Como era São Pio X enquanto padre?

No ano de 1858, quando estava com 23 anos, Giuseppe foi ordenado padre. E isto já é um fato surpreendente, pois, à época, a idade mínima para a ordenação sacerdotal era de 24 anos. Todavia, tendo, ele, concluído seus estudos de forma tão precoce, o reitor do seminário enviou uma carta ao seu bispo – que, por sua vez, comunicou-se com o papa de então, Pio IX – para que o seminarista recebesse uma dispensa que lhe permitisse ser ordenado antes do previsto, o que foi concedido.

Algo que vale notar no agora padre Giuseppe é que, desde o seminário, ele sempre se preocupou que seus sermões fossem simples de serem compreendidos pelas pessoas mais humildes – certamente em razão de sua experiência enquanto filho de uma família pobre. Isso porque, à época, havia um costume local pelo qual os padres faziam sermões muito rebuscados, dificultando o entendimento dos mais simples. Além, todavia, de se preocupar com a forma dos sermões, Giuseppe também tinha muito esmero pelo seu conteúdo, o que se nota pelo fato de que seus principais livros de estudo eram as obras de Santo Tomás de Aquino.

Enquanto sacerdote, Giuseppe passava horas no confessionário, visitava os moribundos e prestava auxílio aos doentes. Exemplo disso foi que, durante a epidemia de cólera, em vez de se isolar, pôs em risco a própria vida abrindo as portas de sua igreja para acolher os enfermos. E, claro, era, ainda, muito dedicado ao ensino do catecismo.

Ao longo de sua vida, Giuseppe também foi profundamente devoto de Nossa Senhora sob os títulos de Medianeira de Todas as Graças e Corredentora do Gênero Humano, os quais promoveria ardentemente durante o seu pontificado. Infelizmente, hoje o Vaticano, por meio do Papa Leão XIV e do Cardeal Fernández, do Dicastério para a Doutrina da Fé, tenta destruir a devoção dos fiéis a tão nobilíssimos títulos da Santa Mãe de Deus. Apenas mais um episódio, porém, dos inúmeros que demonstram que Roma perdeu a Fé, como anunciou a própria Santíssima Virgem em La Salette – ocasião essa em que disse, ainda, à vidente que, mais do que perder a Fé, a Cidade Eterna se tornaria a sede do anticristo.

São Pio X e o ensino do Catecismo

Um problema que chamava a atenção de Giuseppe já em seu tempo (no século XIX!) era o profundo desconhecimento das famílias acerca da Sã Doutrina. Elas rezavam, punham nomes sagrados em seus filhos e levavam vida honesta, mas não conheciam a Verdade revelada por Nosso Senhor Jesus Cristo. E por que isso era um problema?

Ora, por mais que aquelas pessoas amassem a Nosso Senhor e levassem vida reta, elas estavam intelectualmente desprotegidas em um mundo cada vez mais paganizado. Assim, qualquer sopro de novidade poderia arrastá-los para longe da Verdade revelada, jogando-os nas trevas do paganismo e, assim, fazendo com que perdessem a salvação eterna de suas almas. Diante disso, que tipo de contributo poderia, ele, dar a essas pessoas?

Catecismo. Giuseppe começou um grupo de catecismo à noite, tão logo o sol se punha, em sua paróquia. Ali recebia crianças e adultos e lhes ensinava a Sã Doutrina. Mas não sem sacrifício: com o alto volume de atividades que tinha, o padre dormia apenas 4h por noite.

São Pio X se torna o Patriarca de Veneza

No dia 10 de novembro de 1884, Giuseppe foi nomeado bispo de Mântua, na região da Lombardia, atualmente na porção norte da Itália, e, seis dias depois, recebeu a sagração episcopal. Mântua era uma diocese pouco piedosa e que sofria com a falta de sacerdotes. Apesar disso, quando via um seminarista sem vocação, ele o dispensava do seminário, pois considerada a qualidade de um padre algo muito mais elevado que os números inflados.

Nove anos passados, em 1893, Leão XIII fá-lo-á Cardeal Patriarca de Veneza, um dos títulos mais importantes da Igreja. E o terá em tão grande estima que o chamará “a gema do Colégio Cardinalício” – isto é, a joia mais preciosa dentre todos os cardeais.

Um maçom quase foi eleito papa?

Falecido Leão XIII em 1903, os cardeais se reuniram em Roma para eleger o seu sucessor. O favorito era o cardeal siciliano Mariano Rampolla, um bispo abertamente progressista. Ele defendia a República Francesa como legítima, seguindo a tendência adotada por Leão XIII durante parte de seu pontificado.

Veja, o Papa Leão XIII assumiu uma postura de incentivar os católicos franceses a considerarem legítima a república não porque concordava com ela, mas porque pensava ser o “mal menor”, dado o estado das coisas, a fim de minimizar as atitudes anticlericais republicanas. Contudo, tal gesto de fraqueza por parte do Romano Pontífice de humilhar a Igreja diante de seus inimigos não fez com que os republicanos arrefecessem – pelo contrário, eles passaram a combater com ainda mais veemência a Igreja, aproveitando-se de sua demonstração de fraqueza que fragilizou o movimento monarquista promovido pelos católicos.

Vendo essa situação, Leão XIII, no final de seu pontificado, voltou atrás do que tentara e passou a criticar duramente a república. Isso, porém, não foi suficiente para que o movimento monarquista recuperasse a sua força. E Rampolla, ignorando o combate do papa no fim da vida contra a república, seguia sendo complacente com regimes revolucionários anti-católicos, simbolizando uma tentativa de conciliação entre a Igreja e a modernidade – ou seja, um prefigurador da tragédia que, graças ao que veremos a seguir, não se concretizou naquele tempo, mas somente seis décadas depois, durante o infame Concílio Vaticano II. Vale ressaltar, inclusive, que, sobre Rampolla, pesam, até hoje, suspeitas de pertencimento à maçonaria.

A inesperada intervenção que elegeu São Pio X

Apesar do favoritismo de Rampolla para assumir o papado, uma inesperada intervenção impediu a sua eleição. Durante o conclave, o Cardeal Jan Puzyna, bispo de Cracóvia, falando em nome do Imperador Francisco José I da Áustria-Hungria, vetou o nome do siciliano. Essa era uma prerrogativa que o imperador austro-húngaro detinha por herança de honra do antigo Sacro Império Romano-Germânico. Além dele, também o rei da Espanha detinha esse direito, e, antes de 1789, o rei da França.

Desse modo, por meio de um soberano secular, Deus deu mais 60 anos à Igreja para que a Cátedra de Pedro se mantivesse livre das garras do modernismo.

Houve, sim, protestos da parte de Rampolla pela interferência do poder secular no conclave, e alguns cardeais insistiram em seguir votando nele nos demais escrutínios. Todavia, mostrava-se cada vez mais evidente que ele não seria eleito papa.

Diante desses acontecimentos, começou a se desenhar um cenário no qual o nome do humilde camponês de Vêneto – o único dentre os cardeais que não falava francês, a língua internacional da época – se tornava cada vez mais cotado.

No dia seguinte ao veto pronunciado por Puzyna, na manhã de 3 de agosto de 1903, um apertado escrutínio colocou Giuseppe Sarto com 27 votos, frente a 24 de Rampolla. Diante disso, o Patriarca de Veneza, às lágrimas, suplicou que não lhe elegessem, pois se considerava indigno de ascender ao papado, despido de quaisquer qualidades que julgava necessárias ao sucessor de São Pedro, chegando mesmo a afirmar que recusaria a tiara se eleito.

Quanto mais insistia que não lhe elegessem, todavia, mais os cardeais se convenciam de que ele era a pessoa certa para ocupar a Cátedra do Chefe dos Apóstolos.

Em dado momento, o Monsenhor Merry del Val foi em busca de Giuseppe, a fim de convencê-lo a não insistir em sua recusa ao papado. Ele o encontrou em oração aos pés do altar da Capela Paulina. Ali, tomando conhecimento da razão de sua visita, o Patriarca pediu caridade para consigo, esquecendo-o no conclave. A isso, porém, o monsenhor lhe sussurrou: “Coragem, eminência.”

Após isso, encontrou-se com Giuseppe o Cardeal Ferrari, que lhe comparou a Jonas, quando este quis fugir à vontade do Senhor. E ainda lhe disse para tomar sobre si o exemplo de Cristo quando Caifás disse: “É melhor que um só morra para a salvação de todos.” (cf. Jo 11, 50)

E assim foi feito.

No dia 4 de agosto de 1903, assumindo o lema “Instaurare omnia in Christo” (Restaurar todas as coisas em Cristo), Giuseppe Sarto foi eleito pelo Colégio Cardinalício como Sucessor de São Pedro. Ao ser questionado se aceitava a missão, respondeu: “Aceito, com a Cruz.”

Já sobre o nome que tomaria, afirmou:

“Em memória dos Pontífices Santos, de cuja assistência grandemente preciso, e daqueles que, especialmente nos últimos tempos, tiveram de sustentar cruéis perseguições contra a Igreja e contra sua própria pessoa (vide Pio IX, conforme relatado aqui pelo CDB, no trecho em que citamos Giuseppe Garibaldi e Pio IX), tomarei o nome de Pio.”

Assim foi eleito São Pio X, o último papa notoriamente santo da Igreja, cuja memória litúrgica celebramos hoje, 3 de setembro.

A fim, porém, de que não mais nos alonguemos, os feitos de seu pontificado poderão ficar para um futuro artigo.

Que Deus nos abençoe e que São Pio X interceda sempre por cada um de nós.

Viva Cristo Rei! Viva Nossa Senhora Corredentora e Medianeira de Todas as Graças! E viva a Santa Igreja Católica!

 

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