Conteúdo original de LifeSiteNews, traduzido e adaptado por Yago Portella (Redação CDB).
O Vaticano pediu aos católicos que "respeitem" outras religiões em seu documento mais recente sobre diálogo inter-religioso e "fraternidade".
O documento, que recebeu o aval do Papa Leão XIV e foi assinado pelo Cardeal Víctor Manuel Fernández, Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé (DDF); pelo Cardeal Kurt Koch, Prefeito do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos; e pelo Cardeal George Jacob Koovakad, Prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso, foi divulgado esta manhã (16).
Intitulado “Uma Jornada de Esperança: Sessenta Anos de Diálogo Inter-religioso e Fraternidade à Luz da Declaração Conciliar Nostra Aetate ”, o texto desencoraja o “proselitismo”, ou seja, as tentativas de converter pessoas de outras religiões.
“A postura defensiva em relação à própria posição e a visão de que o proselitismo é a única maneira de se engajar com o outro já não fazem sentido em um mundo que se assemelha cada vez mais a uma aldeia global interconectada e em constante evolução”, afirma o texto.
O documento defende o “diálogo inter-religioso” e a “fraternidade” com outras religiões como um ideal, mas os enquadra como meios para alcançar a “paz” e a “compreensão”, em oposição à evangelização.
O que significa diálogo, de acordo com o texto?
“Dialogar no espírito da pressupõe, portanto, um olhar contemplativo dirigido ao 'outro que é diferente'. 'Aproximar-se, falar, ouvir, olhar, conhecer e compreender o outro, e encontrar pontos em comum: tudo isso se resume na palavra 'diálogo'.”
Evangelização, conversão e conduzir alguém a Cristo não são citados nessa concepção de diálogo.
O documento diferencia explicitamente o “diálogo” da evangelização cristã, deixando mais claro que a ideia de diálogo inter-religioso do Vaticano não envolve evangelização.
“Para aqueles que possam ser tentados a insistir exclusivamente na obrigação de proclamar Cristo, recorda-se que afirma também a necessidade de diálogo com outras tradições religiosas, uma vez que esse diálogo é agora ‘parte da missão evangelizadora da Igreja’”, afirma o texto.
O texto cita a afirmação do Papa Francisco de que esse diálogo é “uma condição necessária para a paz no mundo, e, portanto, um dever tanto para os cristãos quanto para outras comunidades religiosas”.
A chamada “fraternidade” em si também é um objetivo declarado, independente de qualquer esforço para converter outros ao cristianismo. O documento incentiva o “diálogo constante com culturas, religiões e consciências”, que, em última análise, é “direcionado para a fraternidade universal”.
Na "construção da fraternidade humana", o que importa para cada religião não é a adesão à verdade, mas sim o acolhimento dos "pobres" e dos "feridos":
“Daí surge a importância de um critério universal de discernimento que pode ser encontrado nos textos sagrados das diversas religiões: a saber, acolher ou rejeitar a pessoa ferida que jaz à beira da estrada. A preocupação concreta com os mais vulneráveis é a medida essencial pela qual a integridade de todo projeto — seja ele político, econômico, social, acadêmico, religioso ou cultural — deve ser julgada. Os pobres, em todas as formas que sua vulnerabilidade possa assumir, são a bússola que nos permite saber se estamos caminhando na direção certa.”
O documento declara que, daqui para frente, nosso objetivo religioso não deve ser estabelecer uma “grande religião mundial na qual todas as crenças sejam homogeneizadas”, mas construir “uma sociedade fraterna capaz de aceitar as diferenças”. Ou seja, os católicos devem aceitar que seus vizinhos professam o erro.
“Essa intenção permanece no cerne do diálogo inter-religioso”, acrescenta.
O documento chega a sugerir que a adesão a dogmas implica uma “visão fechada da realidade” que se torna uma fonte de “sofrimento”.
“Modelos monolíticos e isolados, que incentivam uma visão fechada da realidade, estão se mostrando cada vez mais inadequados e, em última análise, se tornam fontes de violência e sofrimento para os mais vulneráveis”, afirma o texto.
O texto da DDF chega ao ponto de declarar que diferentes religiões errôneas possuem “dons especiais” dos quais não precisam abrir mão: “Nesse sentido, as religiões, assim como as universidades, têm muito a oferecer, sem precisar renunciar ao seu caráter específico e aos seus dons especiais.”
Assim, tudo indica que o documento endossa o indiferentismo religioso, que foi condenado pelo Papa Gregório XVI, pelo Papa Pio IX em seu Syllabus de Erros e por outros papas.
Nesse aspecto, o texto da DDF contradiz o ensinamento magisterial da Igreja.
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