18 de September de 2026 Artigo
5 min

Você conhece a história da igreja consagrada por São Miguel Arcanjo?

Você sabia que há uma única igreja no mundo que não foi consagrada por mãos humanas, mas por um anjo? Conheça agora a história da igreja do Monte Gargano.

Yago Portella

Yago Portella

Redação CDB


Você sabia que há apenas uma igreja no mundo que não foi consagrada por mãos humanas? Situada no Monte Gargano, o Santuário de São Miguel Arcanjo foi construído e consagrado pelo próprio anjo a quem honra, razão pela qual é também chamado de Basílica Celestial. Confira como se deu essa história.

Era o dia 8 de maio de 490 quando, na cidade de litorânea de Siponto, banhada pelo Mar Adriático, vivia um homem chamado Gargano – não se sabe se seu nome derivava do monte ou se foi o monte que recebeu o nome dele. Possuidor de um vasto rebanho, teve, certa vez, de sair em busca de um de seus touros, que fugiu até o cume do monte. Para isso, reuniu diversos serviçais, e partiu em busca do animal.

Finalmente Gargano encontrou o touro. Estava na entrada de uma caverna. Furioso, o homem disparou uma flecha envenenada contra ele, mas, em vez de atingir o animal, a seta se voltou em sua direção, acertando-o.

Os habitantes de Siponto foram até o bispo, São Lourenço Maiorano, para se aconselhar sobre o ocorrido, ao que o prelado ordenou que se fizesse três dias de jejum e que se pedisse a explicação do ocorrido a Deus.

Cumprida a penitência, um anjo apareceu ao bispo e disse:

“Saiba que aquele homem foi atingido por seu próprio dardo por minha vontade. Eu sou o Arcanjo Miguel e quis mostrar que, na Terra, habito este lugar e sou o inspetor e guardião dele.”

Após isso, o São Lourenço partiu em procissão com todos os habitantes de Siponto até o local em que o homem fora atingido, mas ninguém ousou adentrar a caverna, de modo que ficaram em oração diante dela.

A Batalha do Monte Gargano

Passado algum tempo desde esses eventos, os habitantes de Nápoles – cidade distante cerca de 180km de Siponto –, que eram, ainda, pagãos, puseram-se a guerrear contra Siponto e Benevento a uma distância de aproximadamente 80km da cidade onde aparecera São Miguel.

Em meio ao conflito, os sipontinos, aconselhados por São Lourenço, pediram uma trégua de três dias, durante a qual jejuaram e invocaram o auxílio de seu padroeiro angélico.

Na terceira noite de penitência, São Miguel apareceu ao bispo, disse-lhe que suas preces haviam sido atendidas, prometeu-lhe a vitória na batalha e ordenou que o exército sipontino atacasse os napolitanos às 10h da manhã.

O embate se deu no próprio Monte Gargano. Nesse momento, um enorme tremor o abalou. Raios cortaram os céus sem parar, e uma espessa neblina cobriu seu cume.

Ao final da batalha, seiscentos inimigos haviam sido trespassados pelos raios e pelas espadas dos protegidos de São Miguel. Testemunhando tamanho poder, os combatentes que sobreviveram trataram de logo abandonar o seu paganismo e abraçar a Fé Católica.

A Igreja Consagrada

Após a milagrosa vitória na Batalha do Monte Gargano, os sipontinos recearam se deviam entrar na caverna protegida por São Miguel ou se deveriam consagrá-la a Deus. Diante dessa dúvida genuína, São Lourenço enviou um emissário ao Papa Gelásio, questionando sobre o que deveria ser feito.

Em resposta, disse o soberano pontífice que, para se consagrar o local, tornando-o uma igreja, isso deveria ser feito na data em que a vitória foi concedida aos sipontinos. Contudo, para verdadeiramente agradar a São Miguel, eles deveriam conhecer a vontade do anjo.

Tendo recebido a resposta do papa, o bispo ordenou que novamente a comunidade de Siponto jejuasse por três dias. E, mais uma vez, ao final da penitência, apareceu São Miguel ao prelado. Todavia, a resposta que lhe deu foi, certamente, a mais inesperada possível. Disse o anjo:

“Não há necessidade de vocês consagrarem a igreja que edifiquei. Eu mesmo já fiz isso.”

São Miguel ordenou ainda que, no dia seguinte, o bispo reunisse a comunidade sipontina e fosse até a caverna. Além disso, mandou que o povo rezasse com frequência ali.

Por último, a fim de que os habitantes locais tivessem a certeza de que o anjo era o seu padroeiro e de que o local fora consagrado por ele próprio, determinou que subissem até caverna pelo lado do oriente, pois ali encontrariam os passos de um homem impressos no mármore.

No dia seguinte, logo pela manhã, São Lourenço cumpriu o que lhe fora ordenado por São Miguel, e o povo subiu com ele até a caverna. Após se depararem com os passos no mármore, adentraram o local, chegando a uma enorme cripta na qual tiveram uma impressionante visão: uma igreja pronta sem que jamais tivesse sido esculpida por mãos humanas.

No lado sul da cripta havia dois altares e, no lado oriental, mais um – o principal, com uma aparência venerável, coberto por um baldaquino vermelho.

Ali o bispo celebrou uma Missa junto ao povo. E, terminada a celebração, todos voltaram para casa, jubilosos pelo milagre recebido.

Após esses acontecimentos, São Lourenço colocou padres naquela igreja para continuamente celebrarem o Ofício Divino. Não obstante, São Miguel ainda entregou mais um presente ao povo: a Stilla, uma água milagrosa que gotejava do teto de rocha calcária diretamente para uma bacia esculpida. Assim, sempre que terminava a Missa, os fiéis bebiam daquela água, e conta-se que muitos eram curados de suas enfermidades por conta disso.

Infelizmente, entre as décadas de 1940 e 1960, a administração do Santuário de São Miguel Arcanjo – que existe há mais de 1500 anos – selou a fonte da água milagrosa – dada pelo anjo aos seus fiéis – supostamente para preservar a arquitetura do local e por questões de risco à estabilidade estrutural da igreja, em total desconsideração ao fato de que ela foi consagrada e é protegida desde sempre pelo próprio Príncipe da Milícia Celeste.

 

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