A Batalha de Aljubarrota foi uma das mais importantes da história de Portugal. Travada em 1385 contra o Reino de Castela, foi graças ao seu desfecho que o país se manteve independente e que, hoje, o Brasil existe. Descubra como isso se deu.
Após a morte do Rei Fernando I de Portugal em 22 de outubro de 1383, 9 dias antes de completar 38 anos, sua viúva, a Rainha Leonor Teles (aprox. 33), permaneceu no trono governando o reino. Ocorre, porém, que ela era amante do Conde João Fernandes Andeiro de Ourém (aprox. 63), um galego que, com a morte de Dom Fernando I, tornou-se o principal conselheiro da rainha.
Na prática, a influência do Conde Andeiro sobre Leonor era tamanha que era ele quem efetivamente estava governando Portugal. E, como se isso não bastasse, o nobre galego ainda era leal à coroa de Castela.
Castela anexará Portugal?
Não obstante, ainda havia outro agravante: o Rei Dom João I de Castela, de 25 anos, que enviuvara em 1382, contraiu segundas núpcias com Dona Beatriz (10), única filha viva de Fernando e Leonor, em 17 de maio de 1383. Segundo o compromisso firmado entre as coroas portuguesa e castelhana, caso Dom Fernando I morresse sem filhos homens, o trono português pertenceria aos herdeiros de Dona Beatriz e Dom João I, o que até hoje levanta suspeitas de que sua morte, ocorrido apenas 6 meses depois, tenha se dado por envenenamento gradual para parecer que ele fora simplesmente afligido por uma doença.
Qual o significado prático disso tudo?
Na visão do povo português, um adúltero leal a um reino estrangeiro estava governando Portugal através da viúva adúltera do recém-falecido monarca, e a herdeira legítima do trono estava casada com o rei do mesmo país ao qual o amante de Leonor era subserviente. Ou seja: o cenário estava desenhado para o fim da independência portuguesa mediante sua anexação pelo Reino de Castela.
O assassinato do Conde Andeiro
Diante disso, em 6 de dezembro de 1383, o Mestre de Avis, chamado João – irmão bastardo de Dom Fernando I por parte de pai –, então com 26 anos, tramou para assassinar o Conde Andeiro nos Paços da Rainha, em Lisboa. Mas a população foi avisada de que quem estava para ser assassinado era João.
Com isso, o populacho foi até os Paços da Rainha e tentou invadir o local, protestando contra a morte de João. Todavia, ao ser anunciado que quem morrera era, na verdade, o Conde Andeiro, Dona Leonor fugiu da capital e o Mestre de Avis foi nomeado Regedor e Defensor do Reino.
O Cerco de Lisboa
Dom João I de Castela, todavia, ao tomar conhecimento do acontecido considerou aquilo uma quebra do acordo firmado com Dom Fernando I e decidiu invadir Portugal.
Em maio de 1384, 14 mil castelhanos deram início ao Cerco de Lisboa, que se estendeu até setembro. E, embora a fome tenha se abatido sobre a capital portuguesa, as tropas invasoras foram dizimadas pela peste negra e os sobreviventes tiveram de recuar.
O início da Dinastia de Avis
No ano seguinte, no dia 6 de abril de 1385, o Mestre de Avis foi aclamado como o novo rei de Portugal: Dom João I.
Seu homônimo castelhano, porém, não tolerará esse ato que considera de usurpação. Assim, forma uma aliança com Carlos VI de França, que envia 2.000 homens em seu auxílio para tomar Portugal.
Ao todo, o exército castelhano, encabeçado por seu rei, parte para a guerra com um contingente de 31 mil homens. Enquanto isso, Portugal conta com tão somente 6.500 combatentes para resistir à investida de Castela.
Apesar da franca desvantagem numérica, Dom João I de Portugal tem ao seu lado um verdadeiro santo como seu condestável (o chefe supremo do exército português): São Nuno Álvares Pereira.
Ciente da invasão, São Nuno prepara o terreno na Freguesia de Aljubarrota para emboscar os castelhanos e fica na linha de frente das tropas portuguesas. As laterais da formação contam com besteiros ingleses, que enviaram homens para auxiliar Portugal no conflito. E, na retaguarda, o Rei Dom João I de Portugal comanda a cavalaria, aguardando desde uma colina fora da linha de visão inimiga.
João de Castela ainda tenta cooptar São Nuno antes do confronto e fazê-lo trair Dom João I, pois sabe que, sem ele, Portugal não terá chances no conflito. O santo, porém, jamais trairia seu rei e seu povo. Assim, a 14 de agosto de 1385, tem início a Batalha de Aljubarrota.
A Batalha de Aljubarrota
Ao chegarem à freguesia, em vez de avançarem frontalmente contra os portugueses – o que os levaria a caírem nas suas armadilhas –, os castelhanos dão a volta pelo flanco para atacá-los por trás. Seu exército, porém, é grande e lento, o que permite o reposicionamento das tropas portuguesas.
O primeiro ataque é uma carga da cavalaria francesa, que é prontamente aniquilada pelos portugueses. Na sequência, avança a infantaria castelhana. Contudo, dado o reposicionamento português, seus soldados caem nas armadilhas que lhes foram preparadas.
A batalha é extremamente encarniçada, com baixas de ambos os lados, e assim se segue até que, quando, já, 5.000 castelhanos haviam perecido, a bandeira de seu reino é tomada pelos portugueses. Vendo isso, o exército de Castela, pensando que seu rei tivesse morrido, bate em retirada. O exército português, então persegue as tropas castelhanas e extermina aqueles que tentam se esconder na mata.
Em decorrência da derrota, Castela decreta um luto de dois anos. Já em Portugal, a vitória firma Dom João I no trono e dá início à Dinastia de Avis, a qual financiaria, décadas à frente, as Grandes Navegações – que ilustram a epopeia Os Lusíadas, de Luís de Camões – e, consequentemente, o descobrimento do Brasil.
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