7 de October de 2026 Artigo
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A Batalha de Lepanto e o dia de Nossa Senhora do Santo Rosário

O dia 07 de outubro é o dia de Nossa Senhora do Santo Rosário. Mas você sabia que essa data foi estipulada em função da famosa Batalha de Lepanto? Saiba agora o porquê.

Yago Portella

Yago Portella

Redação CDB


Hoje, 07 de outubro, a Igreja celebra o dia de Nossa Senhora do Santo Rosário. Mas você sabia que essa data foi estipulada em função da famosa Batalha de Lepanto, que foi a maior batalha naval da História? Conheça .

Era o ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1569. O Império Otomano ameaçava guerrear contra a República de Veneza no intuito de se apoderar da Ilha de Chipre, localizada próximo ao Líbano.

Diante da ameaça iminente, Veneza solicitou ajuda ao Papa São Pio V, que poderia reunir a Cristandade para que as nações católicas os socorressem contra a ameaça muçulmana. Todavia, justamente a nação mais poderosa do mundo não estava disposta a defendê-los: o Império Espanhol.

No passado, Veneza já havia se aliado por mais de uma vez aos infiéis do islã e, por isso, os espanhóis, agora, não queriam prestar-lhes auxílio. São Pio V, contudo, interveio junto a Filipe II, Rei de Espanha, e o convenceu a partir em socorro dos venezianos.

O primeiro movimento de Filipe foi enviar embaixadores para negociar a aliança com Veneza. Porém, no intercurso das negociações, os otomanos invadiram e tomaram o Chipre e fizeram escravos os cristãos que ali viviam.

O sucesso dos muçulmanos pôs em alerta a Europa inteira, pois temia-se que, com o seu avanço, eles conseguissem alcançar o Mar Adriático e desembarcar a poucos quilômetros de Roma. Mas havia, ainda, um outro problema: Lutero. Graças a esse réprobo maldito, a antiga Europa Cristã estava, agora, dividida por guerras entre católicos e hereges protestantes. Como, então, poderia, o Papa, unificar as nações e salvar a Cristandade?

A formação da Liga Santa

Apesar das dificuldades, todavia, em 1571 o Papa do Sacrossanto Concílio de Trento e do Missal Romano conseguiu finalmente formar a Liga Santa para proteger Veneza e, assim, salvar a Europa inteira.

Liderada por Dom João de Áustria, irmão bastardo de Filipe II, a Liga Santa contou com a participação da República de Gênova, da República de Veneza, do Grão-Ducado da Toscana, do Ducado de Urbino, da Ordem de Malta, dos Estados Pontifícios e do Império Espanhol.

São Pio V, então, enviou um estandarte à Liga Santa contendo a imagem do Crucificado com as armas do Papa, da Espanha, de Veneza e de Dom João de Áustria a seus pés. E endereçou, ainda, uma carta ao líder da Liga na qual pedia o seu embarque imediato para o combate e lhe prometia que os católicos seriam vitoriosos mesmo que a razão humana apontasse o contrário.

Os cruzados embarcam para a Guerra Santa

Dom João, imbuído do espírito de cruzada da missão, proibiu a presença de mulheres nas embarcações que levariam os heróis da Fé para a Guerra Santa contra os otomanos; impôs a pena de morte a quem blasfemasse; decretou um jejum de três dias; e ordenou que todos os 81 mil marinheiros rezassem o Santo Terço diariamente. Não obstante, eles ainda se confessaram e receberam a Sagrada Eucaristia.

Em 16 e 17 de setembro de 1571, os cristãos, em estado de graça, zarparam rumo a Lepanto, no Mar Mediterrâneo, onde as frotas se encontrariam para guerrear na maior batalha naval da História dali a três semanas.

Chegado o dia 7 de outubro, o cenário parecia muito desfavorável aos cruzados: enquanto os otomanos dispunham de uma armada composta por 271 navios, os cristãos contavam com 203. Diante da inferioridade numérica, Andrea D’Oria, almirante da República de Gênova, propôs um conselho de guerra para que os cristãos deliberassem sobre se realmente convinha lutar naquelas condições. Dom João, porém, que recebera do Papa a promessa de vitória, interrompeu-lhe de pronto e afirmou:

“Não é hora de falar; é hora de lutar.”

O chefe da Liga Santa, então, passou em revista um a um os navios, exortando os católicos para a batalha contra os infiéis do islã:

“Este é o dia em que a Cristandade deve mostrar seu poder para aniquilar essa seita amaldiçoada e obter uma vitória sem precedentes! Estais aqui por vontade de Deus, para castigar o furor e a maldade desses cães bárbaros! Depositai vossa esperança unicamente no Deus dos Exércitos, que reina e governa o universo! Recordai que combatereis pela Fé: nenhum covarde ganhará o Céu!”

Ao final, Dom João se ajoelhou no La Real, seu navio, e rezou, e todos os seus homens o seguiram, de modo que um grande silêncio se apossou de todas as embarcações católicas. Nesse momento, os padres presentes abençoaram aqueles paladinos e lhes deram a absolvição geral dos pecados.

A Batalha de Lepanto

Os muçulmanos tinham a ordem de não fazerem prisioneiros, mas chacinarem até o último dos católicos. Desse modo, tendo os ventos favoráveis a si, Ali Praxá, líder dos infiéis, disparou o primeiro tiro de canhão, que foi prontamente respondido por Dom João. Nesse momento, porém, os ventos se voltaram contra os otomanos, e assim teve início o confronto.

Conforme avançava, a batalha ficava cada vez mais difícil para os cristãos, e parecia que eles seriam cercados. Em dado momento, Ali Praxá chegou a realizar investidas contra o La Real, possibilitando os que infiéis, por duas vezes, subissem a bordo do navio de Dom João. Mas os cruzados não se renderam e conseguiram repeli-los.

Apesar da resistência cristã, os recursos de que dispunham os católicos foram ficando cada vez mais escassos, e o próprio líder da Liga Santa estava com um ferimento no pé. E foi nesse momento de aparente trevas que o Marquês de Santa Cruz, após ajudar os venezianos – que estavam sendo dominados pelos otomanos –, chegou ao socorro de Dom João.

Os católicos conseguiram, então, subir a bordo do La Sultana, o navio de Ali Praxá, e o chefe muçulmano encontrou o seu destino ao receber um tiro de arcabuz.

Morto, Ali Praxá teve o seu corpo arrastado aos pés de Dom João; sua cabeça, decepada, foi cravada no mastro do La Sultana; e o estandarte do Crucificado que fora doado por São Pio V à Liga Santa foi finalmente hasteado no La Sultana. Cristo venceu Alá.

Nesse momento, o pavor se apoderou dos otomanos, de modo que, aqueles que ainda não haviam tombado em batalha ou sido capturados, bateram em retirada. Não obstante, conforme iam tomando um a um os navios muçulmanos, os cruzados percebiam que quem remava as galés dos infiéis eram cristãos escravizados. Com isso, 12 mil filhos de Deus foram libertos dos grilhões islâmicos naquele dia.

Relatou-se, ainda, tanto do lado otomano quando do lado cristão, que, durante a batalha, uma Senhora surgiu no céu e dava ordens aos exércitos católicos, causando grande terror aos infiéis com seu aspecto ao mesmo tempo majestoso e ameaçador.

O êxtase de São Pio V e a visão de Nossa Senhora

Enquanto o confronto se desenrolava no Mediterrâneo, o Papa, em Roma, estava reunido em audiência com o Cardeal Pier Donato Cesi para tratar de assuntos financeiros quando, deixando o cardeal de lado, foi até a sacada e entrou em êxtase. Nesse momento, ele viu Nossa Senhora no céu e ela lhe informou sobre a vitória da Cristandade na Batalha de Lepanto.

Voltando ao cardeal, São Pio V lhe disse:

“Ide com Deus. Agora não é hora de negócios, mas de dar graças a Jesus Cristo, pois nossa esquadra acaba de vencer.”

Tendo, assim, despedido o cardeal, o Santo Padre foi até a sua capela para rezar.

O dia de Nossa Senhora do Santo Rosário

Passadas duas semanas, na madrugada do dia 21 para o dia 22 de outubro, o Cardeal Girolamo Rusticucci acordou o Papa para informá-lo das notícias que acabavam de chegar: os cristãos venceram a Batalha de Lepanto – confirmando a visão que ele tivera durante o êxtase em sua sacada.

Já pela manhã foi realizada uma procissão e entoado o cântico de louvor Te Deum, após os quais, na Basílica de São Pedro, foi proclamada a vitória católica. E foi a partir daí que a invocação “Auxílio dos cristãos” foi adicionada à Ladainha de Nossa Senhora. Além disso, foi também por causa dessa vitória que o dia 7 de outubro, data do triunfo cristão na Batalha de Lepanto, foi consagrado à Nossa Senhora das Vitórias e, posteriormente, do Santo Rosário – a mais poderosa arma utilizada pelos católicos na Guerra Santa.

Enquanto isso, em Veneza, o Senado mandou que se pintasse um quadro retratando a batalha. Nele, lia-se os seguintes dizeres:

“Nem as tropas, nem as armas, nem os comandantes, mas a Virgem Maria do Rosário foi quem nos deu a vitória.”

Gênova e outras cidades mandaram pintar a imagem da Virgem do Rosário em suas portas, e por toda a Espanha, bem como por toda a Península Itálica, foram erigidas capelas em honra de Nossa Senhora das Vitórias.

 

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