Papa Leão XIV defende conversão ecológica na COP30

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Papa Leão XIV defende conversão ecológica na COP30

Mensagem do Papa Leão XIV para a COP30 defende a "conversão ecológica" e a "educação ecológica integral". Leia a mensagem na íntegra.

Equipe Centro Dom Bosco

Equipe Centro Dom Bosco

6 min de leitura

O Papa Leão XIV enviou uma mensagem, reproduzida pelo Cardeal Pietro Parolin durante o encontro ecológico da COP30, que se destaca por pedir o "desenvolvimento de uma nova arquitetura financeira internacional" por meio da promoção da "conversão ecológica" — termo cunhado pelo papa Francisco na encíclica Laudato Si. 

A "conversão ecológica" é um conceito recente, que enfatiza a crise ecológica como "um problema moral" a ser enfrentado por membros de todas as religiões.

A mensagem, enviada no dia 7 de novembro de 2025, destaca-se pela ausência completa de qualquer convite à conversão à Fé católica e pela afirmação de que a "sacralidade da vida" deve ser o "centro" da cooperação internacional. Segue abaixo, na íntegra, a mensagem do Papa Leão XIV à COP30, em Belém:


MENSAGEM DO PAPA LEÃO XIV
PROFERIDA PELO CARDEAL SECRETÁRIO DE ESTADO, PIETRO PAROLIN,
NA TRIGÉSIMA SESSÃO DA CONFERÊNCIA DOS ESTADOS PARTES
DA CONVENÇÃO-QUADRO DAS NAÇÕES UNIDAS
SOBRE ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS (COP30) EM BELÉM

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Senhor Presidente   
Distintos Chefes de Estado e de Governo
Senhoras e Senhores!

Em nome do Papa Leão XIV, dirijo cordiais saudações a todos os participantes na trigésima sessão da Conferência dos Estados Partes da Convenção-quadro das Nações Unidas sobre alterações climáticas e asseguro-vos a sua proximidade, o seu apoio e o seu encorajamento.

Se queres cultivar a paz, cuida da criação. Existe uma ligação clara entre a construção da paz e a gestão da criação: «A busca da paz por parte de todos os homens de boa vontade será, sem dúvida alguma, facilitada pelo reconhecimento comum da relação indivisível que existe entre Deus, os seres humanos e a criação inteira» [1]. 

Se por um lado, nestes tempos difíceis, a atenção e a preocupação da comunidade internacional parecem concentrar-se principalmente nos conflitos entre nações, por outro, há do mesmo modo uma consciência cada vez maior de que a paz também é ameaçada pela falta do devido respeito pela criação, pelo saque dos recursos naturais e pelo agravamento progressivo da qualidade de vida causado pelas alterações climáticas.

Devido à sua natureza global, estes desafios põem em perigo a vida de todos neste planeta e, por isso, exigem cooperação internacional e um multilateralismo coeso e capaz de olhar em frente, que coloque no centro a sacralidade da vida, a dignidade dada por Deus a cada ser humano e o bem comum. Infelizmente, observamos abordagens políticas e comportamentos humanos que vão na direção oposta, caracterizados por egoísmo coletivo, por falta de consideração pelo outro e por miopia.

«Num mundo em chamas, tanto pelo aquecimento global quanto pelos conflitos armados» [2], esta Conferência deve tornar-se um sinal de esperança, através do respeito demonstrado pelas opiniões dos outros no esforço conjunto de procurar uma linguagem comum e um consenso, deixando de lado interesses egoístas, tendo em mente a responsabilidade uns pelos outros e pelas gerações futuras.

Senhor Presidente!

Já nos anos Noventa, o Papa são João Paulo II enfatizou que a crise ecológica «é um problema moral» e, como tal, «põe em evidência a  urgente necessidade moral de uma nova solidariedade, especialmente nas relações entre os países em vias de desenvolvimento e os países altamente industrializados. Os Estados devem demonstrar-se cada vez mais solidários na promoção do desenvolvimento de um ambiente natural e social pacífico e salubre» [3].  Tragicamente, aqueles que se encontram nas situações mais vulneráveis são os primeiros a sofrer os efeitos devastadores das alterações climáticas, da desflorestação e da poluição. Cuidar da criação torna-se, portanto, uma expressão de humanidade e solidariedade. 

Deste ponto de vista, é essencial transformar as palavras e as reflexões em escolhas e ações baseadas na responsabilidade, na justiça e na equidade a fim de alcançar uma paz duradoura, cuidando da criação e do próximo.

Além disso, dado que a crise climática diz respeito a todos, as ações corretivas devem envolver governos locais, autarcas e governadores, investigadores, jovens, empresários, organizações religiosas e ONGs.

Senhor Presidente!

Há uma década, a comunidade internacional adotou o Acordo de Paris, reconhecendo a necessidade de uma resposta eficaz e progressiva à ameaça urgente das alterações climáticas [4].  Infelizmente, temos de admitir que o caminho para alcançar os objetivos estabelecidos nesse Acordo continua a ser longo e complexo. Neste contexto, exorta-se os Estados Partes a acelerarem, com coragem, a implementação do Acordo de Paris e da Convenção-quadro das Nações Unidas sobre alterações climáticas.

Há dez anos, o Papa Francisco assinava a Carta encíclica Laudato si’, na qual defendia uma conversão ecológica que incluísse todos, uma vez que «o clima é um bem comum, um bem de todos e para todos. A nível global, é um sistema complexo, que tem a ver com muitas condições essenciais para a vida humana» [5].

Que todos os participantes desta COP30, bem como aqueles que acompanham ativamente os trabalhos, possam ser inspirados a abraçar com coragem esta conversão ecológica, com o pensamento e com as ações, tendo presente o rosto humano da crise climática.

Que esta conversão ecológica possa inspirar o desenvolvimento de uma nova arquitetura financeira internacional centrada no ser humano, que garanta que todos os países, especialmente os mais pobres e os mais vulneráveis às catástrofes climáticas, consigam atingir o seu pleno potencial e ver a dignidade dos seus cidadãos respeitada. Esta arquitetura também deve ter em conta a ligação entre dívida ecológica e dívida externa.

Que possa ser promovida uma educação em ecologia integral que explique a razão pela qual as decisões a nível pessoal, familiar, comunitário e político moldam o nosso futuro comum, sensibilizando ao mesmo tempo para a crise climática e encorajando mentalidades e estilos de vida que melhor respeitem a criação e salvaguardem a dignidade da pessoa e a inviolabilidade da vida humana [6].

Que todos os participantes desta COP30 possam comprometer-se a proteger e a cuidar da criação que nos foi confiada por Deus, a fim de construir um mundo pacífico.

Asseguro-vos as orações do Santo Padre enquanto nesta COP30 tomais decisões importantes para o bem comum e para o futuro da humanidade.

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[1] Bento XVI, Mensagem para a celebração do XLIII Dia Mundial da Paz, 1 de janeiro de 2010.

[2] Leão XIV, Homilia na Santa Missa pelo Cuidado da criação, Borgo Laudato si’, Castel Gandolfo, 9 de julho de 2025.

[3] São João Paulo II, Mensagem para a celebração do XXIII Dia Mundial da Paz, “Paz com Deus Criador. Paz com toda a Criação”, 1 de janeiro de 1990.

[4] Cfr. Acordo de Paris, Preâmbulo

[5] Francisco, Carta encíclica Laudato si’ n.23

[6] Cfr. Bento XVI, Mensagem para a celebração do XLIII Dia Mundial da Paz, 1 de janeiro de 2010.

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L'Osservatore Romano


Menságem copiada do site Vatican.va, disponível pelo link: Mensagem do Santo Padre Leão XIV pronunciada pelo Cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin na COP30 em Belém (Brasil) (7 de novembro de 2025)



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